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Francisco Moita Flores

Perguntas incómodas

Que motivo leva jovens europeus e americanos à radicalização que mata, matando?

Francisco Moita Flores 13 de Dezembro de 2015 às 00:30
Sem ainda ter conseguido descalçar a bota com o problema dos refugiados, que têm servido para se ouvir e ler as maiores obscenidades, a União Europeia viu-se confrontada com problema bem mais alarmante: a emergência do terrorismo. E já se percebeu que as respostas são tão disparatadas quanto os discursos inflamados do maralhal politicamente correto que jura dar guerra aos bandos de assassinos que matam indiscriminadamente.

A saber: seguindo os Estados Unidos, após os atentados do 11 de Setembro, a França declarou guerra. Não contra a Síria, mas sobre a Síria. O objetivo é anular os territórios, os campos de treino, os poços de petróleo que financiam o Daesh. A Inglaterra alinha neste combate. A Alemanha prepara-se para entrar no jogo.

Com aviões, claro. Largados de porta-aviões, despejam bombas, e regressam à acalmia do convés. A Rússia também alinha despejando bombas a eito.

Todos estão de acordo com a elevação dos níveis de segurança europeia. Razão que leva a Hungria a ressuscitar muros nas fronteiras, a Polónia a multiplicar o arame farpado pelas mesmas razões. Mas porquê só a Síria? Esta gente desconhece que o Iémen, a Arábia Saudita, o Iraque são territórios maternais para o Daesh?

E os outros países europeus? Como reage a NATO quando alguns dos seus Estados aliados declaram guerra? Fica quieta, à espera? Já agora, outra pergunta incómoda: Esta rapaziada que comanda a guerra contra o terrorismo já parou para pensar as razões deste fatídico facto incontornável e que se traduz em perceber que todos os terroristas mortos ou capturados nos recentes ataques são europeus ou americanos nascidos e educados em solos ditos democráticos? Que motivos levam jovens europeus e americanos à radicalização que mata, matando? A religião, dirão alguns. A falta de utopias, dirão outros.

Daí que surja outra pergunta: desde os ataques de Paris, quantos líderes religiosos muçulmanos, radicados na Europa e nos EUA, e são milhares, surgem ao lado de Hollande, de Obama, de Merkel, protagonizando a defesa dos ideais de paz expressos no Corão? São excluídos ou autoexcluídos? Que fazem os restantes países, como Portugal, Espanha, entre outros? Que faz Israel, que, segundo consta, compra petróleo aos terroristas e seus principais inimigos? Não haverá hipocrisia a mais em tudo isto?
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