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J. Rentes de Carvalho

E se Donald Trump acertar?

Mais uma razão temos para agarrar tudo o que traga esperança.

J. Rentes de Carvalho 8 de Janeiro de 2017 às 01:45
O ano que passou foi um encadear de guerras, atentados, desgraças à escala bíblica, dando motivo de sobra para nos perguntarmos que tragédias nos esperam. Todavia, quando as notícias são más e as previsões desfavoráveis, mais razão temos para agarrar tudo o que traga uma réstia de esperança, pois bem pode ser que no futuro não haja apenas negrume, e se distinga alguma claridade.

A eleição de Trump foi a grande surpresa, dado que talvez mesmo aos que nele votaram tenha custado a acreditar que a vitória fosse possível. Mas foi, razão porque, guardando uma avisada desconfiança, se possa tirar daí algum optimismo, pois mesmo que o presidente Trump não cumpra as promessas feitas - a bazófia e o acenar com melhorias são inerentes à política – as circunstâncias e o sentido realista de homem de negócios por certo o levarão a aproximar-se da Rússia.

E o mais provável é que Putin o receba de braços abertos, dado que a Rússia não pode resistir indefinidamente ao gasto colossal a que obriga a manutenção do aparato bélico, às consequências do baixo preço do petróleo e às sanções do Ocidente. Assim sendo, pode bem acontecer que se repita a détente dos anos 80, quando o presidente Reagan estendeu a mão a Gorbachev.

Os políticos da UE serão os primeiros a desconfiar da inesperada amizade, mas não dispõem de meios para impedir um avanço da influência da Rússia no Báltico. Por outro lado, se a UE acarinhar menos a Ucrânia, talvez Putin deixe em paz os Balcãs, e se acabe com a astronómica despesa que é o apontar de canhões de um e do outro lado das fronteiras.

Contudo, nem por isso serão menos os motivos de inquietação, já que a derrota do Estado Islâmico vai provavelmente resultar em vagas de terrorismo que nos podem trazer a barbárie a que assistimos na Síria. E para mal de muitos, se não de todos, basta que um bando de fanáticos realize um atentado espectacular antes das eleições e Marine Le Pen será a primeira mulher a tornar-se presidente da França.

Segundo alguns analistas que têm mostrado autoridade, o desassossego que uma vitória da madame provocará na Alemanha, de par com o desejo que esta não esconde de se descartar das economias mais fracas, será o golpe de misericórdia para a união monetária. Porém, se tal acontecer, "talvez surja então a eurozona a que muitos aspiram: de menores dimensões, mas uma em que os acordos sejam respeitados. E com esse alicerce a Europa poderá reencontrar a força que lhe vem da sua diversidade".
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