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J. Rentes de Carvalho

A travessia da Índia

As viagens que mais me enriqueceram o espírito nunca foram as que eu fiz.

J. Rentes de Carvalho 11 de Novembro de 2016 às 01:45
Sonhei, abri mapas, percorri com o dedo a linha do Transiberiano, sei tudo da Route 66, e quase tudo da Rodovia Transamazônica, mas mesmo na mocidade nunca fui viajante aventuroso, e se de vez em quando invejo os que são capazes de correr o mundo de mochila às costas, dormindo ao relento, a ideia de viajar sem conforto logo me cura dessa ambição.

Também nunca tive um interesse por aí além em me misturar com os povos que me aconteceu visitar, ou de conhecer em cada país as opiniões do "homem da rua". E as paisagens... Ah! As paisagens podem ser inesperadas, espectaculares, assombrosas, mas quando se é apenas viajante, aquele que passa preso ao fio ténue da novidade, mal a surpresa esmorece logo elas fatigam.

Assim, curiosamente, as viagens que até agora mais me enriqueceram o espírito nunca foram as que eu próprio fiz, mas aquelas alheias em que, pela leitura, participei por interposta pessoa.

E pouco se me dá que a minha visão do mundo, dos exotismos do mundo, seja desse modo quase toda emprestada, porque para mim, a viagem ideal continua a ser a travessia da Índia com um bom livro, mas sem sair da cama.
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