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J. Rentes de Carvalho

O livro do arquitecto

Só em Mário soares se encontra aquela maneira de abraçar.

J. Rentes de Carvalho 30 de Dezembro de 2016 às 01:45
Autor de O Último Verão na Ria Formosa, o qual, ouviu-se então nos mentideros, quase lhe valeu o Nobel, o arquitecto Saraiva publicou em Setembro passado Eu E Os Políticos. Desopilante numa ou noutra passagem, mas com suficiente ranço para da parte de alguns justificar pensamentos menos cordatos.

Todavia, é de justiça que, pela involuntária ternura que demonstra, se refira aqui o apontamento que faz na página 45, de ter conhecido o nosso Primeiro Ministro, então "um miúdo pequenino, a brincar debaixo da mesa onde comíamos… e que a mãe tratava por Babouche".

Com o significado de pantufa ou chinelo, a palavra babucha vem-nos do árabe, li-a pela primeira vez n’A Relíquia, de Eça de Queiroz, refere-a ele também nos relatos sobre o Egipto e a Terra Santa. Mas em francês, babouche, além de soar requintada, parece exprimir em simultâneo uma rechonchuda bonomia, dando ideia de o carinhoso apelativo ter sido singularmente premonitório.

Na verdade, de todos os Primeiros Ministros desde Abril de 74, só em Mário Soares se encontra aquela maneira de abraçar, o caso é que António Costa leva a melhor na jovialidade e no optimismo.
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