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Joana Amaral Dias

5000 filhos da mãe

Quis o destino que, na mesma altura em que arrancou mais uma campanha contra a violência sobre as mulheres, estreasse no cinema a adaptação de um best-seller que faz dessa mesma violência uma coisa sensual e lúdica.

Joana Amaral Dias 26 de Fevereiro de 2015 às 00:30

Quis o destino que, na mesma altura em que arrancou mais uma campanha contra a violência sobre as mulheres, estreasse no cinema a adaptação de um best-seller que faz dessa mesma violência uma coisa sensual e lúdica.

A concorrência é, obviamente, desleal. Aliás, este tem sido um dos problemas da prevenção e combate a este crime: por mais sensibilização social que se faça, a competição é feroz.

Por cada campanha que um governo ou uma instituição de solidariedade social lance para combater a violência sobre as mulheres, saltam centenas de anúncios na tv ou na rua que glorificam e incentivam essa mesma violência, direta ou implicitamente. Basta olhar para o anúncio da Santa Casa da Misericórdia (sim, da Santa Casa), em que o prémio do euromilhões inclui uma ‘gaja boa’, para o perceber.

É disto, aliás, que nasce o sucesso do livro/filme: ele é, em si mesmo, a cristalização desses estereótipos sobre as mulheres que grande parte da nossa sociedade continua a difundir, sobretudo o da submissão. Não são 50 sombras de grey. São 5000 filhos da mãe.

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