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Correio da Manhã

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João Aranha

O PAN e as touradas

Ainda não vi esclarecida a questão de que "pessoas", que "animais" e que "natureza" se prepara para defender no Parlamento o deputado do PAN.

João Aranha 1 de Novembro de 2015 às 17:52

Trago este tema à colação não apenas porque a tauromaquia (que é muito mais do que um espectáculo com origem milenar e não na Idade Media, como alguém desse partido erradamente julga), porquanto, para além de ser alvo do PAN, aconteceu que foi à porta do Campo Pequeno que uns quantos seus apaniguados iniciaram há dias uma marcha de protesto, numa opção que nada teve de inocente.

Desconheço a vivenciado e lugar de nascimento do eng.André Silva, eleito deputado pelo PAN na AR, como ignoro se costuma fazer parte do grupo que me insulta, nesse mesmo lugar, em noites de corrida. Respeito quem tem hábitos, gostos e lazeres diferentes dos meus enquanto também me respeitarem. Civilizada e democraticamente. Também aqui me trás a curiosidade de que seria interessante saber da origem geográfica e territorial dos 75.000 votos que colocaram o PAN no Parlamento não vá acontecer, (como pressuponho), haver entre eles uma maioria de "urbano-depressivos", (qualificação apropriada de  Miguel Sousa Tavares para definir quem nunca terá visto parir uma ovelha ou cobrir uma burra). O que, se assim for, explicaria algumas duvidas que resultam da leitura das "exigências programáticas" do PAN, onde romantismo, utopia, e desconhecimento da Historia, se juntam em partes iguais olhando ao tempo que vivemos. No qual também por vezes me sinto incomodo e desajustado, na minha condição de mero omnívero, a reviver boas e más recordações de um passado de muitos anos.

Ainda não vi esclarecida a questão de que "pessoas", que "animais" e que "natureza" se prepara para defender no Parlamento o deputado do PAN ao obrigo das ideias que estão na génese do seu partido. É verdade que já se identificou como vegetariano integral ( não come nenhum produto animal, nem ovos, nem leite nem manteiga), já adiantou uns quantos lugares comuns a propósito dos maléficos comportamentos da humanidade no que se refere a crimes contra a natureza,(com alguns excessos fundamentalistas que me impedem de lhe reconhecer razão total), e até afirmou que: "há características mais humanas num chimpanzé do que num ser humano em coma". Bom proveito!

Do programa do seu partido consta ,por exemplo, que aos animais (quais?) sejam concedidos o direito de "pessoa" e liberdade total no seu habitat natural,. E daí que sejam banidos os espectáculos tauromáquicos, circenses ,hípicos, , e zoológicos, proibindo-se inclusive o uso de charretes(?).O que, pelos vistos significaria que se salvariam os carros de lavoura, as carroças, os carros de bois e mais alguns veículos de tração animal que a mim, (por má leitura) , e ao PAN, ( por  omissão), possam ter escapado. Que, se bem estudados e bem julgados, terão que ser glorificados e responsabilizados pela evolução da humanidade, desde a sua descoberta até ao dia em que o Eng. André Silva, e seus acompanhantes deram por isso. Banindo-os sem sequer se aperceberem que tal implicaria a extinção imediata de muitas espécies animais por razões obvias.

Outras questões por explicar tais como a sustentação dos habitats naturais

da maioria das espécies em pleno seculo XXI, o controle da sua reprodução da sua   sobrevivência,   da sua saúde e do seu destino ,e  até a realidade não menos importante de como explicar,(aos vindouros e não só), que os direitos do cãozinho de companhia da simpática velhinha das Avenidas não serão bem os mesmos das pulgas que o parasitam, tal como diria o Orwell. Há dias, num encontro ocasional com um antigo companheiro de caça (que pouco sabia da matéria mas derrubava perdizes com classe), vi-me confrontado com uma situação curiosa .

Confessava-me ele que embora atirasse com categoria tinha deixado de caçar no dia em que pensou "não ter direito de matar perdizes que não lhe faziam mal nenhum". A conversa foi, obviamente, complicada, mas rápida, já que ele estava com pressa para comprar material para ir às lulas "ao candeio" pois na véspera apanhara 20 quilos delas! Tanta pressa que nem teve tempo de me responder quando lhe perguntei: "éh pá, que mal é que te fazem as lulas?"
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