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João Botelho

Favas contadas

Os que se julgam a elite começam a atirar flechas de todo e para todo o lado.

João Botelho 15 de Outubro de 2015 às 00:30
Pareciam, mas... Correndo de um lado para o outro como o Coelho da Alice, embora levando mais tempo a olhar para o relógio, lá vai o Costa com o seu caderno de notas, que tem páginas à esquerda, à direita e até ao centro. E vai apontando conceitos, propostas e palavras até aqui nunca vistas, nem ouvidas, extraordinárias!

Nas páginas do centro, uma risca amarela separa o resumo da conversa interessante, aberta e produtiva com Cavaco e o sólido documento do PAN, onde se esclarece de vez que os piolhos e as lagartas são providos de cérebro.

Nas páginas da esquerda, separadas por um fino traço dos Verdes que representa um trabalho sério e consistente, tanto de um lado como do outro, as mesmas palavras: "credível", "estável", "consistente" e uma pequena nota: "sempre no respeito pelos compromissos internacionais de Portugal". Descanse quem disse que tinha medo: ficaremos na Nato, pagaremos todas as nossas tristes dívidas e nenhuma criança será transformada em barras de sabão!

Finalmente, nas páginas da direita, onde um grosso risco vermelho aponta 3%, destacam-se um irresistível documento facilitador e um aceitável plafonamento. Já tínhamos sustentável, expectável, implementável, e agora melhoramos para plafonamentos e facilitadores. Lindas palavras, que bonito som elas têm. E corre Costa, mais flecha do que arco, para contar as favas, esperando numa delas encontrar o bolo-rei.

A culpa da ruína intelectual vem de muito longe. Um jovem rei, estúpido e louco, que sofria de espermatorreia e fora educado por um cardeal que aos oitenta anos se alimentava do leite verdadeiro que sugava dos peitos de uma nutrida ama, arrastou consigo para o desastre a reduzida elite portuguesa. Séculos de inquisição e décadas de fascismo fizeram o resto.

Quanto à recente e já democrática ruína económica, vinda do esbanjamento em cimento, em estradas e na trafulhice dos bancos, tanto é culpado o "culpado" Cavaco como o "gastador" Sócrates. Com medo (lá vem ele) que o arco se alargue a ponto de romper, começam, os que se julgam a elite, a atirar flechas de todo e para todo o lado. Passos e Portas também têm medo porque a Catarina assusta a bolsa e porque um tal Porfírio se assume como um dos mais influentes conselheiros de Costa. Por favor, leiam o blogue poético dele e também o de umas meninas capazes que querem dialogar com as elites sofisticadas (!!!) para se afirmarem como vanguarda desta terra e até do globo! Ocular?
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