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João Botelho

Fixos e protectores

Votem como pensam e não como o que os intermediários dizem para pensar.

João Botelho 1 de Outubro de 2015 às 00:30
"Daqui fala a Marta, em quem é que vai votar?" E de repente, não há programas, não há política, não há nada. Mas há sondagens, competição de sondagens, dia a dia, minuto a minuto. Mas as chamadas são para telefones fixos, raros nas nossas casas e os professores Bambo deste país, aqueles que curam o reumatismo e o mau olhado, serão talvez mais fiáveis nas previsões.

Todos se podem enganar. Vejam os casos do "derrotado" Cameron na Inglaterra e do seguro empate técnico na Grécia. Há também um comportamento inquietante nos portugueses comuns que adoram apostar nos que lhe dizem que irão ganhar.

Obedientes e subservientes, ficam muito impressionados com o que dizem de nós lá fora. Encantados com o bom caminho em que andamos e que a Standard & Poor’s nos recomenda (até nos elevou de "lixo absoluto" para "ainda lixo") e encantados com as palmas de Bruxelas à "não venda" do Novo Banco (garantindo que nem o deficit nem as famílias portuguesas serão prejudicadas – ah, pois não!). Mas Bruxelas pediu logo um aumento de impostos na restauração e ambiente porque estamos gordos e poluímos muito. O ministro da indústria convocou de urgência uma conferência de imprensa para anunciar ao mundo que os VW da Autoeuropa não são portadores do kit fraudulento. Quem o informou? Nossa Srª de Fátima? A fraude grande dos VW e dos Audi e a fraude pequena das 27 cópias que Merkel fez para passar nos exames aconteceram na Alemanha, esse país que nos protege e quer ditar o nosso comportamento.

Afinal, a Merkel é tão Drª como o Sócrates e o Relvas, e o terror espalhado em Trás-os-Montes pelas alheiras de Mirandela é ridículo comparado com a poluição alemã. Com vícios de protectorado, aparece Passos a dizer que se Costa perder, se deve demitir. E o ministro do ambiente a ameaçar que uma hipotética aliança de esquerda podia levar o Jerónimo de Sousa a discutir política internacional com o Obama. Distorção democrática grave e fixa virá dos poucos votos dos 250 000 jovens licenciados que nos últimos anos abandonaram desiludidos o País, dos 20% de indecisos que afinal podem decidir, e sobretudo dos mais de 40% de abstencionistas que, fartos dos políticos, se afastaram irremediavelmente do direito e do dever da escolha. Protestem e votem de acordo com o que pensam e não de acordo com o que os intermediários vos dizem para pensar.
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