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João de Sousa

‘Animal’ sai da toca

José Sócrates, no segundo mês de prisão preventiva, ia devorar meio mundo.

João de Sousa 16 de Agosto de 2015 às 00:30
Apercebermo-nos de quem somos é tarefa difícil, muitas vezes não concretizada, pois muito do que somos encontra-se escondido e não se reflecte nos nossos espelhos baços. Mas sujeitos a "situações-limite", como aquelas que experimentamos aqui em ‘Ébola’, onde eu e o meu camarada José já nos encontramos há largos meses, por motivos diferentes, a imagem refletida é a verdadeira, oferece a real dimensão ética e moral do ser humano que somos.

José Sócrates, no segundo mês de prisão preventiva, ia devorar meio mundo. Consumido pela indignação e pela raiva aos que tiveram a coragem de afrontar o seu poder e bom nome, desonrando-o, ia fazer sofrer quem ousava sujeitá-lo a "tamanha canalhice", a quem o obrigava a penhorar a casa que desejava legar aos filhos, por forma a pagar o que devia ao seu amigo! E para conseguir pagar a sua defesa, os honorários de uma equipa de advogados que o acompanha na sua cruzada.

Nas ocasiões em que o José desabafou comigo, confesso que me senti como um doente terminal que recebe a visita de um sujeito que passa o tempo todo a queixar-se de uma unha encravada. Na altura estava indeciso quanto ao seu polémico apartamento na rua Braamcamp, que já tanta tinta fez correr ao longo dos anos; mas esta semana que passou o José vendeu a casa. Julgo que para a defesa deve chegar!

Sócrates decidiu há uns tempos não aceitar a prisão domiciliária e a indigna "anilha" da vigilância eletrónica; como o filósofo grego com o mesmo nome, decidiu que preferia a sua cicuta (a prisão de Évora) a ceder às pretensões do Ministério Público e do juiz. Esta semana, o decidido José Sócrates fez sair da prisão todo o seu espólio: aproxima-se o dia da revisão da medida de coação! Cuidem-se: o "animal feroz" decidiu sair da toca!

Como seria o José sem Santos Silva  
Fez questão de me dar conta de uma "grande amizade"
Há uns meses, indeciso, José confidenciava-me que por vezes se perguntava como seria se não tivesse conhecido Santos Silva, como estaria. E acrescentou que, apesar de tudo, nutria pelo mesmo uma grande amizade.

A falta do teleponto e a impaciência 
A máscara cai sem recurso às maravilhas do "teleponto"
Quando estamos num ambiente favorável, pacífico, com recurso ao "teleponto", tudo é facilitado na relação com os outros; mas é num cenário adverso, como em meio prisional, que surgem os verdadeiros desafios que testam a imagem que muitas vezes fabricamos para nós próprios.

Nove meses em ‘Ébola’, nem com paciência de chinês
José Sócrates, muito provavelmente, decidiu ao fim de nove meses de reclusão aqui em ‘Ébola’, num ambiente estranho à sua dimensão e "condição", que não tem a resistência e a paciência de Job! Talvez porque já tem o módulo de "Inglês técnico" realizado, ache que "Job", só se "for the boys"!

Vozes do pátio
"Mandela" esquecido

Ao fim de nove meses, em ambiente não favorável aqui em ‘Ébola’, tudo porque a máscara entretanto já caiu, o engenheiro José Sócrates decidiu, ao que tudo indica, sair daqui, abandonando a imagem que quis cultivar do "Nelson Mandela português", mudando a sua narrativa, os cartazes e a orientação da sua campanha... desculpem... defesa pessoal.

Faltou a revolta popular
Quem aqui convive com o "animal feroz" já conhece o "lado lunar", porque o socialista Sócrates critica a greve dos guardas prisionais, revela faltas gritantes de educação, ausência de respeito pelas normas internas de um estabelecimento prisional – e tudo porque o José não assistiu a uma verdadeira e autêntica sublevação nacional ou no seio do Partido Socialista.

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