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João de Sousa

Louçã sai derrotado

Alguém aqui lhe perguntou se o Louçã era um adversário difícil. Respondeu arrogantemente que o era, mas que o derrotou sempre!

João de Sousa 13 de Dezembro de 2015 às 00:30
Por várias vezes disse a Sócrates que depositava grandes expectativas na sua pessoa, uma vez que experimentava o mesmo que todos os comuns reclusos experimentam, e, com toda a certeza, lideraria a mudança no sistema de Justiça.

Nunca manifestou qualquer intenção, quer por palavra ou gesto, enquanto aqui esteve, que pudesse indiciar que pretendia, pelo menos, alertar para o muito que há a fazer. Sobre a intervenção mediática, disse-me que nunca deveríamos partir para uma entrevista sem controlar o seu conteúdo, e sem ter um tema fraturante, decisivo.

Gabava-se de nunca ter perdido um debate. Alguém aqui lhe perguntou se o Louçã era um adversário difícil, tendo respondido arrogantemente que o era, mas que o derrotou sempre!

Todos esperávamos que o José abordasse o tema da sua prisão e as condições que encontrou, todos pensamos ser um tema fraturante, decisivo. Eu, que segui, ainda que parcialmente os seus ensinamentos, denunciei numa entrevista que a cozinha é um contentor sem condições e que há pouco tempo foi um recluso chamado para retirar uma ratazana morta que estava na água das azeitonas! Solicitei, inclusive, que a ASAE comparecesse por cá e realizasse inspeção.

Quem por cá ficou é da opinião que o José não quer saber porque já é passado. Outros, como aqueles que a seguir foram colocados na sua cela e necessitaram de dois garrafões de cinco litros de lixívia pura para recuperar a cor branca da sanita e do lavatório existentes, uma vez que, surpreendentemente, as condições de higiene eram inacreditáveis, são da opinião de que o "tipo não se importava porque comia sempre toda a porcaria que lhe colocavam no prato!".

Vozes do pátio
Jornais e jornalistas à disposição
Sócrates, que por aqui "pairou", que tem à disposição jornais, jornalistas, estações de TV e até decisões judiciais inéditas, o ex-44 que não admite contraditório e fazem-lhe a vontade, podia de uma vez por todas dizer algo construtivo, inteligente, altruísta.

Fartos da história da ‘canalhice’
Quem, aqui na cadeia de Évora, viu o José Sócrates e agora o vê nos ecrãs de televisão, quem o conhece sujo, com mau odor, pior feitio, assustado, já está farto da história da "canalhice" deste ex-primeiro-ministro e do sempre presente: "Eu, eu, eu, eu!"

Conhecia míseras condições da prisão
Nas suas palestras, sobre Justiça e Política, nunca falou das condições na cadeia. Desconhecia? Claro que conhecia as míseras condições da prisão que decretou, enquanto 1º ministro, ser a prisão que o iria receber. Irónico!

Não permite contraditório
Agora sim, agora compreendo a razão pela qual José Sócrates não permite o "contraditório", a questão espontânea, quando ataviado aparece no pequeno ecrã! A CMTV compareceu aqui em ‘Ébola’ e fui entrevistado. Contrariando os ensinamentos do José, não condicionei as perguntas.

Não condicionei as perguntas, não exigi qualquer questão, sentindo na pele a dificuldade que a honestidade intelectual e a liberdade de imprensa colocam a quem, sem táticas ou falsidades, deseja expressar a sua indignação ou denunciar o que considera errado.
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