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João de Sousa

O falso ‘animal político’

Aqui, na prisão, não existe ‘teleponto’.

João de Sousa 19 de Julho de 2015 às 00:30
Não imperam as regras de etiqueta da sociedade ‘lá fora’. Aqui tudo é cru, despido: um homem não é o seu diploma, estatuto ou profissão; aqui és a manifestação do material de que és feito. Constantemente observados, avaliados, escrutinados, somos as nossas ações e comportamentos, a palavra é dúbia, é artifício; tens de mostrar e demonstrar quem és.
Muitas vozes epitetaram o José Sócrates de ‘animal político’. A frase é de Aristóteles, mas desvirtuaram o sentido. Aristóteles, o que de facto afirmou foi que "a natureza do indivíduo humano só é realizável através da comunidade social e política. O indivíduo isolado torna-se insociável e apolítico, comportando-se como um Deus ou uma besta". Logo, o homem não é um animal gregário, mas sim um ‘animal político’.
Há duas semanas desafiámos o José a contribuir para o ‘bem comum’, dar voz àqueles que como ele estão recluídos, no fundo participar na vida da comunidade de que agora faz parte, contribuindo com a sua reflexão. José respondeu através de outro, criando ruído, defendendo-se mentindo.
A este ‘animal político’ – o José – falta-lhe a grandeza dos feitos e a nobreza dos objetivos.
O verdadeiro político, homem bom e íntegro, tem de encerrar em si e demonstrar virtude, saber e esforço de vontade. Ainda que se possa afirmar que o José tem capacidades políticas e eficácia notável, uma vez que obteve uma maioria, o que evidencia aqui – na ‘grande prova’ – é uma combinação de falhas de caráter e superficialidade no plano intelectual.

Dúvida sobre autoria do livro
Também eu coloco agora em causa se foi o José que escreveu o seu livro sobre a tortura [‘A Confiança no Mundo, Sobre a Tortura em Democracia’, editado em 2013 e com prefácio de Lula da Silva], porque, como disse Umberto Eco, "quem faz uma tese sobre a sífilis acaba por gostar da espiroqueta pálida".  

Distante de tudo o que exige reflexão 
É impressionante o quanto o José Sócrates está distante em relação às condições que se experimentam nesta cadeia, o estado da Justiça em Portugal, os prazos da prisão preventiva, ou outra temática qualquer que exija profundidade de pensamento, reflexão, e consequente exposição pública ‘não-controlada’ pelo próprio.

Vozes do pátio
"Para o José, o Sócrates é um Deus impoluto"
Autocentrado, distante, acima da regra e da norma, desloca-se entre os outros não cumprindo, antagonizando guardas e população recluída. Para o José, o Sócrates é um Deus impoluto, para os restantes, é uma autêntica besta!

"Julga que tudo é ‘canalhice’"
Para o José, tudo o que está mal, mesmo aquilo que o seu governo legislou, não se justifica através de razões estruturais ou mesmo conjeturais: é apenas uma ‘canalhice’ para o prejudicar!

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