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João de Sousa

Reforma para Eanes

"Isto do dinheiro é assunto de pessoas menores. Fui eu que, após a mulher dele pedir-me, arranjei ao Ramalho Eanes uma reforma".

João de Sousa 20 de Setembro de 2015 às 00:10
Revelador da mesquinhez e verdadeiro "à-vontade de bastidor" é o exemplo que José Sócrates me ofertou, com o objetivo de ilustrar a sua dimensão humana, solidária e social, ao mesmo tempo que satisfazia o seu ego e diminuía outrem: "Isto do dinheiro, João, é assunto de pessoas menores. Fui eu que, após a mulher dele pedir-me, arranjei ao Ramalho Eanes uma reforma, e agora também fala da Justiça o que é da Justiça e à política o que é da política? São todos uns hipócritas!"

Esta semana, no programa ‘Prós e Contras’, da RTP 1, o Diretor deste jornal manteve acesa discussão com o escritor, perdão, com o outro jornalista convidado, Miguel Sousa Tavares, tudo por causa da violação do segredo de Justiça. Discutiam sobre a publicação, na íntegra, de um dos interrogatórios a Sócrates. O José, nesse dia (do referido interrogatório), aquando do seu regresso, afirmava em plenos pulmões que o "pequeno Teixeira" e o "esbirro Inspetor Silva" tinham levado uma tareia, e, mais importante, "toda a gente ia saber o que ele disse e como os tratou, esses canalhas!".

Alguns dias após esta conversa de bastidores em "Ébola", surgia na imprensa a transcrição do interrogatório, na qual se podia retirar o quão feroz e lutador Sócrates se revelou.


Agora já não me engana
"Sr. João, ele a mim enganou uma vez. Agora que o conheço como o conheci aqui, não engana outra vez! Continue a mostrar às pessoas como ele é na verdade!" A frase não é de um recluso arreliado com o Sócrates porque este não emprestou um filme, ou porque tinha privilégios. É de um profissional dos serviços prisionais.

Dívidas dos países são perenes
Carta de Sócrates à imprensa: "O engenheiro Carlos Silva detém, como é sabido, meios próprios de fortuna pessoal […] e sendo meu amigo, esteve disponível para me ajudar quando eu precisei […] Mas não deixarei de lhe pagar." A carta foi apresentada à imprensa a 2 de janeiro de 2015.

A 19 de dezembro de 2014, em conversa comigo, que registei, menos de um mês antes, José Sócrates doutrinava-me dizendo que as "dívidas dos países são perenes": "Se você pedir um empréstimo, João, e o banco sabe que pode viver até aos 100 anos, eles avaliam consoante a sua idade; ora os países são eternos." Será que o José considerava o engenheiro Carlos Santos Silva uma pequena nação ou apostava que ambos ultrapassavam os 100 anos de idade?

"Isto não é um líder"
Noticiou-se que na sua "prisão caseira", José incentivava António Costa: "Dá-lhe agora!" Aqui, nos bastidores, ouvindo-se a voz de Costa, as celas abertas permitiam ouvir, José, com um esgar dizia: "Até a voz, João, a dicção é fraca. Isto não é um líder, não cativa, não acha?"

Boneco e bastidores
Muito povo está (ou estava) enganado em relação a Sócrates, porque nunca assistiu às manobras de bastidores, somente vê o boneco devidamente composto ou a fotografia estrategicamente tirada e difundida. Se os portugueses conhecessem os bastidores, Sócrates não se safava!
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