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João de Sousa

Tenho a minha gente

Sócrates quer mediatismo, mas um mediatismo por si controlado: só o que ele diz, sem contraditório, no seu tempo e em sua defesa.

João de Sousa 1 de Novembro de 2015 às 00:30
Possivelmente, "no extremo do ‘poder-sobre’, o ator político evitará sentir qualquer vulnerabilidade – será por isso mesmo que, nesse caso, se procura o ‘poder-sobre’ e tenderá, em casos limite, a aplicar essa fragilidade/dor aos outros. Já no ‘poder-para’, o ator político interioriza as vulnerabilidades, fragilidades e dores, suas e dos outros, transformando-as numa ação política que as sirva."

As palavras são de Joana Amaral Dias, do seu livro ‘O cérebro político’, livro que Sócrates viu na minha cela e comentou: "Realmente, João, você lê muito, mas é muita porcaria!" Estas palavras "vestem bem" ao José, como os seus fatos. Sócrates quer mediatismo, mas um mediatismo por si controlado: só o que ele diz, sem contraditório, à hora que ele quer, no seu tempo e em sua defesa.

Quando, no dia 27 de novembro de 2014, falámos sobre a cobertura televisiva da sua detenção, das manifestações do PNR, das horas de comentários – ou seja, tudo aquilo que o José agora critica –, na ocasião ele "ensinou-me": "João, a cobertura televisiva foi boa, assim vão ver o que me fizeram e viram os fascistas. A direita vai-se queimar!" Invoquei Oscar Wilde: "Pior do que falarem mal de nós é não dizerem nada." "Vê, você aprende depressa" – afirmou, sorridente.

Sempre o "poder-sobre". Quando Edite Estrela o visitou, surgiu a "questão do Muesli" (não permitiram a entrada). O José relatou-me a situação com outros contornos: "A querida da Edite queria colocar um processo ao Diretor." Disse-lhe que seria algo positivo pois poderia mudar as condições nas prisões. "Nada disso, João. Eu não quero saber do Muesli. Incentivei a Edite a oferecer a perspetiva política! Tenho a minha gente a trabalhar, não estou só!"


Vozes do pátio
Colagem a Luaty Beirão
Tentou colar-se a Luaty Beirão, o mesmo José que aqui fez birra por causa dos iogurtes – tinham de ser dois e de coco – o mesmo que comia sofregamente toda a intragável comida que aqui servem, e que, ao contrário do noticiado, não liderou qualquer luta por causa das condições da prisão.

Gargalhadas à noite
Nós aqui conhecemos bem o José dissimulado, e gargalhadas ouvem-se, com as celas fechadas, quando na televisão vemos e ouvimos uma humilde senhora a ofertar-lhe flores e a dizer, comovida: "Parabéns pela resistência!" Até agora, enquanto escrevo sobre isso, farto-me de rir!


Escândalo dos Vistos Gold
Edite Estrela, dias depois de visitar José Sócrates na cadeia de Évora, colocava na internet um comentário no qual afirmava que a prisão de Sócrates "servia para desviar a atenção do escândalo dos Vistos Gold!"

Segredos escondidos em gavetas
Simula e dissimula e está sempre a tentar exercer a influência. Num dos nossos passeios no pátio, perguntou quantas pessoas liam o meu blogue. Quando interiorizou o número, disse-me que ia confidenciar-me algo delicado, algo que, se se soubesse, iria provocar "grande alarido".

Falou do juiz Carlos Alexandre e das informações que tem numa gaveta sobre um elemento do governo PSD/CDS, acrescentando: "Há certas linhas que não transponho, mas se isso se sabe!" Apostando num João de Sousa sedento de protagonismo, lançou a ideia. Esperava recrutar mais um esbirro amigo.
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