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João Vaz

Carne para canhão

As interrupções do aeroporto do Funchal devem estar previstas com respostas planeadas.

João Vaz 9 de Agosto de 2017 às 00:30
O mais comum é ver o turista como um incómodo. Há, no entanto, também o ir para fora cá dentro, os portugueses que fazem turismo em Portugal e dão de caras com os maus-tratos do nosso acolhimento. A ilha da Madeira e os problemas de operacionalidade do aeroporto constituem nessa matéria um caso peculiar. Pela previsibilidade da ocorrência e a ineficácia da resposta.

No papel, está tudo tratado. A TAP tem o seu sistema de reembolso das despesas dos passageiros retidos em terra.

Outros operadores turísticos estão preparados para apoiar os utentes em situação de emergência. E o governo regional autónomo promove através da respectiva Secretaria da Economia e Turismo o controlo das crises com apelos aos operadores para tudo resolverem na defesa dos utentes e salvaguarda do prestígio do destino turístico.

A realidade faz, porém, dos turistas nacionais e estrangeiros carne para canhão. A companhia aérea cria um estado de stress com informações instáveis e manda por escrito os passageiros desenrascarem-se com a promessa de aceitáveis reembolsos. As agências de viagens levam as pessoas para o aeroporto do Funchal como se transportassem tropa de choque para uma manifestação e incentivam-nas a pressionar os balcões das aéreas.

Ao Estado pertence desfazer este imbróglio. Nenhum governo, nem sequer o da Madeira, pode fugir às responsabilidades. As interrupções de operacionalidade do aeroporto do Funchal devem estar previstas e com respostas planeadas como os incêndios florestais de Verão ou as epidemias de gripe no Inverno. Ao governo regional da Madeira não chega apelar à concertação dos operadores. Tem de ser o primeiro artífice da resposta às emergências.

Uma unidade de gestão de crises, financiada por uma qualquer taxinha turística, devia prevenir desabafos do tipo "eu nunca mais volto à Madeira".
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