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José Diogo Quintela

1001 formas de ter culpa

Dizer que o terrorismo é causado pela falta de igualdade vale tanto como dizer que o terrorismo é causado pela falta de bacon.

José Diogo Quintela 12 de Dezembro de 2015 às 00:31
Thomas Piketty, o economista fetiche da esquerda, diz que a desigualdad e causa terrorismo: "É óbvio que o terrorismo se alimenta do barril de pólvora de desigualdade do Médio Oriente, que ajudámos a criar." Entrada directa para o ranking de culpas do Ocidente que provocam terrorismo: 5) direitos das mulheres; 4) Natal; 3) aquecimento global; 2) desigualdade; 1) existência.

Piketty tem razão. Os terroristas irritam-se com a desigualdade: acham que há pouca. Daí a expansão do Califado. Mais território subjugado significa mais gays para torturar, mais infiéis para escravizar, mais apóstatas para matar, enfim, mais pessoas para tratar de forma desigual.

Se há desigualdade que indigna os fundamentalistas é a que existe entre os fanáticos de alto coturno, possuidores de escravas sexuais às dúzias, e os de classe baixa, que têm apenas 2 ou 3. "Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros", diria um destes discriminados, se ser apanhado a ler Orwell não fosse razão para lhe cortarem a língua.

Mas Piketty acredita que há jiadistas que pugnam pela igualdade, supõe-se que de acesso a amoladores para as suas espadas. Sucede que igualdade é um conceito prezado por cá, mas repudiado por lá. Como democracia, bifana ou Victoria’s Secret. Dizer que o terrorismo é causado pela falta de igualdade vale tanto como dizer que o terrorismo é causado pela falta de bacon.

Claro que é possível que não estejamos a promover bem a igualdade, junto aos maníacos. Às vezes usamo-la mal e isso pode desencorajar a sua adopção. Por exemplo, quando, em nome da igualdade, a BBC se recusa a chamar Daesh ao Estado Islâmico, por não querer tomar partido por nenhum dos lados. Ou quando uma universidade inglesa impede a palestra de um guerrilheiro curdo, por não estar presente um jiadista a dar a sua versão. Ou quando a Nivea lança um creme que amacia a pele do pescoço, para que a lâmina não encrave, enquanto o Califa não decreta o acesso universal a bons amoladores.

(Só uma destas três é peta).

Já agora

Metáfora futebolística sobre igualdade 
Foz do Sizandro tem dois clubes: o União e o Sport. Rivais encarniçados. Em 2010/11, o União ficou em 1º e o Sport em 6º. Em 11/12, o União ficou em 3º e o Sport em 7º. Em 12/13, o União ficou em 5º e o Sport em 8º. Em 13/14, o União ficou em 7º e o Sport em 9º. Em 14/15, o União ficou em 9º e o Sport ficou em 10º. Desceram ambos de divisão. Os adeptos do Sport nunca foram tão felizes. Sim, estão mal, mas os rivais estão iguais. A desigualdade no sucesso chateia mais do que a igualdade na miséria.

E mais

Homeopatacoada consegue curar doençapatacoada 

A obsessão da esquerda com a igualdade estende-se ao apoio entusiasmado do BE à homeopatia. Querem igualdade entre a magia e a medicina cientificamente comprovada. A homeopatia é, aliás, um hino à igualdade: o seu princípio é "semelhante cura semelhante". Ou seja, se doer a cabeça, bata com ela na parede até passar. Se semelhante cura semelhante, é natural que crédulos acreditem que estão a ser curados por crédulos que julgam estar a curar.

Só para terminar

Não há fome que não dê em impostura
Por falar em igualdade, aquando da primeira greve de fome de Luaty Beirão, José Sócrates comparou-se a ele. Mas é óbvio que Luaty não é igual a Sócrates, ou teria aguentado a greve de fome dez anos. Fingia que não comia, mas tinha o amigo Santos Silva debaixo da cama a passar-lhe sandes.
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