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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

Apita o comboio? É machista

Se há uma coisa que distingue os WCs é a higiene. O dos homens é porcalhão.

José Diogo Quintela 2 de Abril de 2016 às 01:45
Depois do animado réveillon na Alemanha, com vários ataques a raparigas, uma companhia de comboios alemã instituiu agora carruagens só para mulheres. Quando os alemães começam a destinar vagões de comboios para um grupo seleccionado de pessoas, é mau sinal.

No fundo, trata-se de uma burka gigante de metal, que cobre as mulheres para que os homens não se descontrolem, como diabéticos numa pastelaria. É sabido que, se um diabético tiver um ataque de hiperglicemia, a culpa terá sido do pastel de nata instigador. Há que segregar os doces.

Nos casamentos alemães os noivos já dizem: "Até que a morte ou a companhia de comboios nos separe". Mas, se há uma carruagem interdita aos homens, é justo que haja uma interdita às mulheres: a locomotiva. (O bom desta medida ser discriminatória contra os homens é que todos os comentários misóginos que se façam a partir disto são aceitáveis).

Entretanto, noutro país do Ocidente, o progressismo choca de frente consigo próprio e a divisão de sexos, em vez de promovida, está a ser abolida. Na universidade Cooper Union, em Nova Iorque, acabaram-se as casas de banho separadas. Para que os transexuais não se sintam mal a ir à casa de banho do sexo antigo, nem a ir à casa de banho do sexo novo, criaram-se novas casas de banho mistas. São transcasas de banho.

Em princípio, as mulheres ficam a perder. Se há uma coisa que distingue os WCs é a higiene. O dos homens é porcalhão. Uma das razões é a anatomia masculina (aquilo que o jargão progressista chama "género atribuído no nascimento", como se houvesse um funcionário da maternidade a marcar aleatoriamente os bebés com carimbos "rapaz" ou "rapariga"), que faz com que o homem respingue tudo.

Ora, se os WCs das mulheres começam a ser frequentados por homens aselhas ou transexuais ainda pouco treinados no manejo de equipamento novo, vai dobrar a despesa com Cif.

Resumindo: pelos parâmetros progressistas, no futuro um homem e uma mulher só poderão viajar de comboio juntos se o homem estiver a fazer cocó.

Confesso que ainda não percebi bem qual é o comportamento progressista correcto a adoptar. Por exemplo, ontem a minha mulher estava a ensinar a minha filha a jogar o "Quem é quem?". E passou-se isto:

Minha mulher: "Vamos supor que perguntas se a carta que eu tenho é rapaz. Se eu disser que não, significa que…
Minha filha: "É rapariga!"
Minha mulher: "Isso! Bom raciocínio dedutivo."
Eu: "Estou? Fala da Associação Feminista da minha área de residência? Queria denunciar a minha mulher e a minha filha. Interiorizaram uma ideia hetero- normativa de sexo, ignoram a fluidez de género e que o sexo é uma construção cultural e… "
Feminista: "Que barulho é esse? O senhor está num comboio? Na mesma carruagem que a sua mulher?"
Desliguei.

Portugal é racista?
Em relação a africanos, ciganos ou eslavos, talvez. Agora, em relação a dobermanns, rottweileres e schnauzers, é de certeza. O Presidente da República recebeu um cachorro. Sucede que é um pastor-alemão. Vai daí, as associações de cães de raças portuguesas protestaram.

Como pode um Presidente ser contra a espanholização da banca, mas permitir a alemanização da matilha? É vergonhoso, não ser um cão de estirpe lusitana, da linhagem dos mastins que roeram as pantufas de Nun’Álvares Pereira ou dos rafeiros que escavaram os canteiros de D. João V.

Is Sócrates a crook? Depends on the meaning of "is"
Às tantas, para explicar porque é que Carlos Santos Silva lhe liga a perguntar de que cor quer o soalho, Sócrates diz ao juiz que, por vezes, "posso" quer dizer "devo". Faz lembrar Bill Clinton quando, no processo de impeachment, discorreu sobre o sentido de "is" para justificar que não mentira sobre a relação com Monica Lewinsky.

Enquanto nos EUA os líderes trapaceiros discutem semântica a propósito de sexo, em Portugal fazem-no por causa de construção civil. Os EUA são a terra dos bravos, Portugal é a terra dos patos bravos.

O terrorismo faz mal às costas
Há quem esteja convencido que, aqui em Portugal, estamos a salvo do terrorismo. Acham que o facto de estarmos na periferia da Europa é suficiente para não sofrer com as consequências da falta de segurança no resto do mundo. É falso.

Ainda esta semana magoei-me seriamente por causa da acção terrorista de um muçulmano, aquele egípcio que desviou o avião para ir falar com a amada ao Chipre. A minha mulher perguntou porque é que eu nunca fiz isso por ela.

Eu disse que é difícil desviar um avião para ir ter com ela, se ela viaja sempre comigo. "E um autocarro? E um táxi? Nem um tuk tuk és capaz de desviar! Quando é que foi a última vez que prejudicaste o normal funcionamento de um meio de transporte colectivo por amor a mim?" De maneira que tive de dormir no sofá e lixei a hérnia.

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