Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

Ciclovia sacra

Não se percebe que alguém de lycra se ache superior aos condutores.

José Diogo Quintela 30 de Setembro de 2017 às 00:30
Ainda bem que acabou a campanha. Já não podia ouvir falar em bicicletas. É uma questão de espaço: como os políticos de ontem cobriram Portugal de auto-estradas, aos políticos de hoje resta-lhes preencher a pouca área livre com ciclovias. Nos anos 90 o desígnio nacional era poder ir do Porto a Faro sem grande esforço; agora é poder ir da Baixa a Campolide com grande esforço.

Quando penso em bicicletas, não é na ida para o emprego. Penso no genérico do Verão Azul. Não imagino um executivo a trepar do Marquês à Estrela, vejo Piraña e amiguinhos a pedalarem junto à praia. Lisboa não é a costa de Málaga, nem aquelas crianças iam para o trabalho às 8 da manhã. Se fossem, não teriam fôlego para assobiar o bonito tema de abertura. A bicicleta é uma alternativa válida ao automóvel como a prancha de skimming é alternativa ao cacilheiro.

Mas querem convencer- -nos do contrário. Se uma pessoa num carro ganha uma sensação de invencibilidade, numa bicicleta ganha uma sensação de superioridade moral. Percebe--se que alguém dentro de uma caixa de aço se ache indestrutível. Já não se percebe como é que alguém de lycra se ache superior a condutores vestidos normalmente.

Bom tema para reflexão.
Ver comentários