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José Diogo Quintela

Decoração presidencial: um estudo

O Professor Marcelo dá para tudo. É o vestido preto da decoração.

José Diogo Quintela 9 de Janeiro de 2016 às 00:30
Apolítica portuguesa está cheia de lugares comuns. (Afirmação que é, ela própria, lugar comum. Um meta-cliché, digamos). Um desses lugares comuns é que o Presidente da República é uma figura decorativa. Se isso é verdade, então Cavaco Silva é uma escultura bizarra que só mantivemos em casa por ter sido oferecida pela tia-avó que não queríamos ofender e que, entretanto, faleceu, de maneira que já não precisamos de tolerar o mono. Já o debate na Antena 1 com os dez candidatos foi o equivalente a uma sala decorada por um heterossexual cego e ébrio a quem tivessem posto nas mãos um catálogo de sobras da Moviflor. Havia ali uma algazarra de estilos que fez o kitsch parecer sóbrio.

É que cada candidato é decorativo, mas à sua maneira. Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, é uma clássica escrivaninha no estilo D. Maria. Não aprecia o género? Não faz mal, temos talão de troca. O Prof. Marcelo pode ser, afinal, um prático sofá da Área. Ou uma moderna escultura da Joana Vasconcelos. Ou um tradicional tapete de Arraiolos. O Prof. Marcelo dá para tudo. É o vestido preto da decoração.

Já Sampaio da Nóvoa é uma mesinha de cabeceira a imitar design escandinavo. Está na moda, mas vê-lo dá sono. E Maria de Belém é uma cadeira de balouço, na medida em que fica bem na sala, tem um ar acolhedor, mas acaba por marear.

Edgar Silva, o sacerdote comunista – passe a redundância – é um oratório, como os que havia em casas das beatas, que em vez da Virgem e do Santo António, tem o Estaline e o Lenine. Marisa Matias é uma daquelas cómodas do IKEA que parecem estupendas no catálogo mas que, quando a desempacotamos em casa e vemos o trabalho que vai dar a montá- -la, perde o encanto.

O exótico Tino de Rans é um aquário com carpas koi: ao princípio são espectaculares, mas acabam por ser uma espécie de fanecas da ribeira onde a Dyrup faz descargas. Henrique Neto é um vetusto louceiro, só que numa casa onde apenas se usam pratos de plástico.

Podia continuar a arranjar analogias entre candidatos e peças de mobiliário, mas ia tornar-se cada vez mais forçado. Até porque há uns candidatos sobre quem não ocorre mesmo nada. Paulo Morais, por exemplo, não lembra nenhum móvel. Quando muito lembra um calço que pomos debaixo de um móvel, para o endireitar.

No fundo, é um bocado indiferente o Presidente ser escolhido por eleição ou por conjugação cromática. Tanto faz ser o preferido do povo ou o que combina melhor com os reposteiros do Palácio de Belém. As regras da democracia acabam por ser iguais às regras do feng shui.

Seja a peça decorativa que for, por mais esquisita que seja, acabaremos por nos habituar à sua presença na nossa sala. E um dia, descalços, vamos acertar-lhe um pontapé com o mindinho e gritar: "Mas quem é que deixou este mamarracho aqui no meio?"

As lágrimas de crocobama
Concordo com Barack Obama: há que controlar melhor o acesso dos americanos a armas. Nomeadamente, através de mais e melhores avaliações psicológicas. Com isso, não se teria posto as armas mais poderosas do mundo à disposição de um homem que perde o controlo emocional em público.

Como aconteceu ao presidente dos EUA. Não é boa ideia que quem costume ter desequilíbrios nervosos tenha acesso aos códigos das bombas nucleares. A única bomba a que Obama devia ter acesso é a bomba da asma, para quando hiperventilar descontroladamente daquela forma.

Um ano depois, Charlie tem a capa capada
Para marcar o aniversário do ataque de dois fundamentalistas muçulmanos que gritavam "Alá é grande!" enquanto massacravam, os sobreviventes do ‘Charlie’ fazem uma capa com um Deus bandido sem qualquer referência ao Islão. Pumba! Ali, a amesquinhar os terroristas! A fingir que não os veem. Os jiadistas a dizerem: "Estamos aqui! Tenham medo de nós!", mas os cartunistas a ignorá-los, como se eles não existissem. Melhor, só se a capa tivesse um colóquio de deuses armados, tipo Neptuno e Ódin com bazucas, Shiva com uma fisga, Iemanjá com granadas e Toutatis de caçadeira. Mas sem Alá, excluído do clube das religiões violentas. No fundo, o ‘Charlie’ fez uma espécie de bullying aos fundamentalistas. Ou isso ou é a primeira revista transgénero, na medida em que ‘Charlie’ deixou de ser ‘Charlie’.

Contem com a morte, os impostos e o apoio do PCP a ditaduras
O PCP votou contra uma deliberação a condenar os crimes contra a Humanidade cometidos pela Coreia do Norte. No mesmo dia, Edgar Silva não admitiu que a Coreia do Norte é uma ditadura. O PCP acabou com o arco da governação. Agora temos um arco-íris da governação. É mais bonito, mas não passa de uma ilusão de óptica.

Pena não estarem no Governo. Dava jeito um Min. dos Neg. Estrangeiros estalinista. Mantínhamos relações diplomáticas só com a Coreia do Norte, Cuba e Venezuela. Poupava-se em embaixadas e viagens de avião.
 
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