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José Diogo Quintela

Os apaziguadormentes

Tão mau quanto a islamofobia é a islamofobiafobia: o medo de ser considerado islamófobo.

José Diogo Quintela 21 de Novembro de 2015 às 00:30
Em ‘A Inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho’, Mário de Carvalho põe um exército mouro do séc. XII a entrar pelo trânsito matinal do Areeiro. A premonição do mestre: dia 13 aconteceu mais ou menos isso, com o ataque de soldados medievais islâmicos no meio da Europa moderna. No conto, o contraste entre cimitarras e semáforos é cómico. Desta vez, em Paris, foi trágico. Infelizmente, estes mouros não serão magicamente recambiados a 1148.

O que se deve fazer, então? Ninguém sabe. Mas, aparentemente, muita gente sabe o que não se deve fazer: não se deve dizer que o Islão não é uma religião de paz, pois é racismo; não se deve atacar já o ISIS, pois é belicismo; não se deve fiscalizar melhor a chegada de refugiados, pois é xenofobia.

No máximo, ficar quieto e assobiar para o lado. Se funciona com abelhas, talvez funcione com terrorismo islâmico. Fora isso, não se deve fazer nada. Só se deve reflectir e tentar perceber. É o que tenho feito. Quem são estes apaziguadores? Ainda não percebi.

São pessoas que apreciam contextualizar. E lembrar que o Ocidente gerou duas guerras mundiais, o nazismo e o comunismo. Têm razão, foi aqui que nasceram. Mas foi também aqui que morreram. E nunca se disse que Hitler era um jovem desempregado, ou que Estaline sofreu bullying de um camponês ucraniano. Não os justificámos, combatemo-los Contra o conselho, justamente, de gente que desejava reflectir e perceber.

O Ocidente aprende, mas a escolaridade obrigatória do Islão acabou no séc. XV. Se Mário de Carvalho tivesse posto cruzados a chegar à Damasco actual já não teria piada: não seria contradição, mas redundância.

Tão mau quanto a islamofobia é a islamofobiafobia: o medo de ser considerado islamófobo. O islamófobo acha que todos os muçulmanos são terroristas islâmicos. O islamofobiófobo acha que nenhum terrorista islâmico é muçulmano. O primeiro é uma companhia maçadora num jantar normal. O segundo é uma companhia arriscada num jantar parisiense.

É pessoa para se levantar e tentar perceber o terrorista ali mesmo.
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