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José Manuel Silva

O PIPCO fracassou

O PIPCO deve ser suspenso e criada uma ‘via verde do cancro oral’.

José Manuel Silva 11 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Sem análise custo/benefício, sem estudo prévio, sem base científica, sem prevenção primordial e primária, mas com custos inúteis, o Despacho 686/2014 criou o Projeto de Intervenção Precoce no Cancro Oral (PIPCO).

Em doentes de risco enviados pelos Médicos de Família para Médicos Dentistas, a consulta é paga por cheque-diagnóstico (15€) e a realização de biopsia a alguma lesão por cheque-biopsia (50€).

Com base nos dados de execução do PIPCO, março de 2014 a junho de 2015, ressalta o seguinte: a taxa de diagnósticos (diagnósticos realizados/cheques entregues) está apenas em 30%. A percentagem de doentes que faz biopsia é de 40% dos ‘diagnosticados’!

A percentagem de doentes com cancro oral é apenas de 4,9% dos que realizaram biopsia (1,9% dos consultados). Conclusões: a taxa de abandonos é elevadíssima, a taxa de biopsias positivas é baixíssima (fazem-se biopsias a mais), não há qualquer evidência de ganhos em Saúde.

O PIPCO deve ser suspenso, deve ser criada uma ‘Via Verde do Cancro Oral’, para fazer melhor, com menos custos e com a qualidade do SNS (Estomatologia, ORL e Cirurgia Maxilo-Facial). Espera-se que o Ministério da Saúde acabe com este óbvio desperdício.
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