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José Rodrigues

"Não" e "ponto final"

Sem surpresa, o Presidente da República manteve-se fiel ao ‘roteiro’ de formalidades que constitui a sua zona de conforto e rejeitou a antecipação das legislativas, que permitiria que o Orçamento do Estado para 2016 fosse preparado a tempo e horas, e sem uma proximidade excessiva com as presidenciais.

José Rodrigues 10 de Novembro de 2014 às 00:30

A justificação que apresentou para o seu "não" e "ponto final" é que o Presidente não pode mudar a lei que fixa o calendário das eleições entre os dias 14 de setembro e 14 de outubro e ir contra a Constituição, que só permite a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições em caso de grave crise política. Mas, na verdade, o que Cavaco Silva pretende é garantir que a política de austeridade se manterá depois de 2015, uma vez que o novo Governo, muito provavelmente liderado pelo PS, não terá tempo para elaborar outro Orçamento e será obrigado a continuar com o anterior, por duodécimos. Ele próprio o admite ao afirmar que este cenário obrigará o novo Governo a "acalmar-se" e a confinar-se aos cortes.

Qualquer tentativa de inversão do atual rumo terá, pois, de esperar. É caso para dizer que, com este Presidente, o que há que temer nunca é a ação, mas a inação…

Assembleia da República Cavaco Silva Governo PS política
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