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Leonardo Ralha

Os brasões ajardinados

Fica o alívio de que noutros jardins lisboetas, ao deus-dará mesmo sem terem conotações salazaristas, apenas existe incúria.

Leonardo Ralha 29 de Agosto de 2014 às 00:30

A punição dos Távoras pelo atentado a D. José incluiu ossos partidos à marretada, decapitações e fogueiras, mas nem as terras que lhes pertenciam tiveram clemência: foi-lhes lançado sal, para que nada mais ali pudesse crescer. Alguns séculos depois, perto do Beco do Chão Salgado, onde um padrão recorda o fim dos inimigos do Marquês de Pombal – é discreto o bastante para não causar indigestão a quem procura os vizinhos pastéis de Belém –, encontra-se o jardim da Praça do Império, memória da Exposição do Mundo Português de 1940. Esse espaço verde da capital foi resgatado do esquecimento esta semana, pois a Câmara de Lisboa fez saber que não gastará um euro a recuperar os brasões das ex-colónias, que outrora tiveram os mesmos arranjos florais que o escudo de Portugal, a cruz de Cristo e os brasões dos distritos portugueses. Disse um assessor do vereador José Sá Fernandes que tais brasões "estão ultrapassados", numa lógica de lançar sal a períodos históricos capaz de justificar a conversão do Padrão dos Descobrimentos numa inovadora ciclovia vertical. Fica o alívio de que noutros jardins lisboetas, ao deus-dará mesmo sem terem conotações salazaristas, apenas existe incúria.

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