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Leonardo Ralha

Cortar Rentes

Rentes previu folia e lembrou leitores descontentes de que nada lhes deve.

Leonardo Ralha 19 de Março de 2017 às 00:32
Geert Wilders não conseguiu vencer as eleições holandesas, mas um dos seus apoiantes teve motivos para festejar. O escritor português Rentes de Carvalho, transmontano com seis décadas de vida no país das tulipas, foi contemplado com o prémio de ficção narrativa do ano pela Sociedade Portuguesa de Autores.

E eis que sucedeu o previsível: muitos dos que haviam comprado os seus livros, e cantado o seu engenho e arte, espalhando-o a toda a parte, atropelaram- -se na missão de tentarem ser os primeiros a declarar que não mais lerão uma só página de quem vota num xenófobo que queria deportar estrangeiros com cadastro criminal, tal como Trump ou (não digam nada a ninguém...) Obama.

Vale a Rentes o desassombro de ter previsto a folia, lembrando aos leitores descontentes que nada lhes deve. E vale ainda mais que continue a haver quem goste de boa literatura ao ponto de fazer conviver livros de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, George Orwell ou Celine na mesma prateleira.
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