Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
1
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Leonardo Ralha

Histórias de guerra

Ouvi choros e vi lágrimas de homens com idade para serem meus pais.

Leonardo Ralha 8 de Janeiro de 2017 às 01:45
Aprende-se muito a conversar com ex-combatentes. Não só sobre armas, técnicas de combate ou o melhor local para estar sentado num veículo que avança por uma picada, à espera de onde virá o primeiro tiro. Também se fica a saber que uma carta da família pode valer ouro ou que uma cerveja gelada é digna de rei quando a sede e a saudade se agigantam.

Nos últimos anos tive o privilégio de aprender muito em dezenas de conversas com ex-combatentes transformadas nos relatos de ‘A Minha Guerra’, secção que até agora existia na revista ‘Domingo’.

Por telefone ou cara a cara ouvi choros e vi lágrimas de homens com idade para serem meus pais. Não necessariamente ao falarem de como mataram alguém - até porque quase todos nem sabem se chegaram a fazê-lo -, mas sobretudo ao recordarem a morte dos seus camaradas de armas.

Sem nunca ter estado na guerra, mesmo sem nunca ter sido soldado, não me esquecerei dessas histórias de guerra. E ninguém deve esquecê-las.
A Minha Guerra guerra ex-combatentes
Ver comentários