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Leonardo Ralha

Um Natal do Potlatch

A discórdia entre seguidores do Menino Jesus e do Pai Natal esconde que o Natal, tal qual o vivemos em 2014, tem menos a ver com catolicismo ou capitalismo do que com uma cerimónia praticada por povos indígenas da Melanésia e de partes da América.

Leonardo Ralha 26 de Dezembro de 2014 às 00:30

Como o Natal na canção, o Potlatch era sempre que um homem quisesse. Desde que fosse um homem poderoso, com algo importante para celebrar. Na cerimónia, oferecia as posses mais valiosas, quase sempre destruídas para comprovar o seu estatuto. E quem recebia tinha de retribuir, para não ‘perder a face’.

Olhando para os dados da rede Multibanco, este Natal voltou a ser a noite em que dezenas de sacos de embrulhos nos permitiram provar estatuto através da destruição ritual do subsídio de Natal sobretaxado ou do plafond do cartão de crédito.

O Potlatch foi proibido no Canadá e nos EUA no final do século XIX, sendo considerado um desperdício irracional de riqueza e o maior obstáculo para que os indígenas se tornassem cristãos e civilizados. Tendo em conta o que o Natal representa para o comércio, indústria e serviços, nenhum governo fará o mesmo com o Potlatch dos tempos modernos. 

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