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Leonor Pinhão

Fahid Al-Ahmad Al-Sabah

É xeque quem nasce xeque.

Leonor Pinhão 23 de Julho de 2016 às 00:30
A propósito de um acontecimento recente, lembram-se, os mais velhos, do xeque Fahid Al-Ahmad Al-Sabah, o protagonista de um dos 10 momentos mais constrangedores do desporto mundial segundo a opinião da insuspeita estação de televisão norte-americana CNN?

E no que diz respeito aos mais novos e aos que ainda não tinham nascido no ano de 1982, alguém vos contou a história do príncipe das arábias que se tornou numa celebridade cómica a nível global por se ter atrevido - e com sucesso! - a invetivar um árbitro e a dar voz de comando à retirada de campo da equipa do Kuwait num inesquecível jogo do Mundial jogado em Espanha, já lá vão 34 anos?

O xeque Fahid não só era xeque como também era presidente do Comité Olímpico do Kuwait, presidente da Federação de Futebol do Kuwait, militar de alta patente e irmão do emir do seu país e, num cúmulo de distinções, era o inevitável chefe da delegação kuwaitiana que se qualificou para a fase final do campeonato do mundo de futebol de 1982.

Na fase inicial do torneio, viu-se o Kuwait a perder com a França por 3-1 no palco de Valladolid quando o talentoso centro-campista Alain Giresse fez o quarto golo dos franceses atingindo o resultado uma expressão que já beliscava, e de que maneira, o orgulho real. E foi nesse momento que o príncipe entrou para a História entrando em campo, exigindo ao atarantado árbitro russo a pronta invalidação do golo francês alegando que os seus jogadores tinham parado porque tinham ouvido um apito, não do apito do árbitro, mas vindo das bancadas e que fora suficiente para paralisar a sua equipa no momento em que Giresse rematou à baliza.

Fizeram sensação em todo o mundo as imagens do xeque Fahid, vestido galantemente com o seu traje, ordenando à sua equipa que se retirasse imediatamente de campo até que o pobre árbitro, um senhor russo chamado Miroslav Ivanovich Stupar, anulasse o golo francês por amor à verdade desportiva. E assim foi. Impressionadíssimo com o arraial montado no relvado de Valladolid, o russo fez a vontade ao príncipe Fahid, invalidou o golo de Giresse e acabou por ver a FIFA retirar-lhe as insígnias de árbitro internacional que tanto lhe tinham custado a ganhar.

E o xeque? - perguntarão vocês. Pois acreditem que Fahid, o príncipe das arábias - que encontraria honrosamente a morte no campo de batalha quando, oito anos mais tarde, o Iraque invadiu o Kuwait -, escapou, certamente por ser de boas famílias, com uma multa ligeira de 25 mil francos suíços que lhe foi aplicada pela FIFA no decorrer de uma sessão do comité de disciplina onde imperou a risota. A verdade é que não é xeque quem quer. É xeque quem nasce xeque.

Nada melhor do que uma derrotazinha em prol do bom senso
Esta semana os benfiquistas tiveram de se haver com três dificuldades. A crueldade que impera nas redes sociais dando o "capitão" Luisão como acabado - "finito" diria Tomislav Ivic - foi a primeira e escusada porque ninguém melhor do que Luisão saberá reconhecer o momento quando o momento chegar.

A segunda dificuldade apresentou-se sob a forma da iminente saída de Lindelof. Estas duas primeiras dificuldades acabam por se conjugar porque se Luisão estiver "finito" e Lindelof de malas feitas perde o Benfica dois centrais de uma assentada.
O terceiro óbice foi a derrota em Sheffield porque ninguém gosta de perder nem a feijões nem tangencialmente.

No entanto, poderá ter tido virtudes este desaire em Inglaterra porque depois da goleada ao Derby County em Faro já havia quem desse o "tetra" por adquirido face à "abundância de qualidade" no plantel. Nada melhor do que a realidade pura e dura de uma derrotazinha para fazer imperar o bom senso que é, na realidade, o apanágio dos campeões.
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