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Leonor Pinhão

No âmbito da zoologia

Vitória tem-se aproximado muito de Jimmy Hagan na arte de só responder ao que quer.

Leonor Pinhão 8 de Outubro de 2016 às 00:30
Esta paragem do campeonato está a revelar-se um aborrecimento. Não se passa nada. Para tornar as coisas ainda mais maçadoras, o presidente do Benfica veio a terreiro pedir, educadamente, aos adeptos do Benfica com voz nas estações de televisão para não saírem eles próprios a terreiro a toda a hora a desfilar respostas afiadas ao alegado departamento da comunicação do grande rival. Com uma dose apreciável de perversidade, Luís Filipe Vieira fez questão de vincar que o que se passa no Sporting "é um problema do Sporting". E é. Como podem os benfiquistas com dois dedos de testa sentirem-se ofendidos com os insultos vindos do outro lado da rua quando do outro lado da rua preside uma figura que trata por "carneiros" os seus adeptos leais e por "ratos" os seus adeptos desafetos? No âmbito da zoologia está tudo explicado.

Para entreter estes dias resta-nos, assim, a seleção nacional. Há quem vibre até à insanidade com a chamada de jogadores do seu clube à "equipa de todos nós" como era chamada antigamente a seleção. São maneiras de estar que merecem todo o respeito. Mas, também com todo o respeito pela seleção, há muitos benfiquistas que não revelaram o menor desgosto por não ver jogadores da sua equipa na primeira convocatória de Fernando Santos e que, pelo contrário, não exultaram nem um bocadinho quando o selecionador entendeu repescar Nélson Semedo e Pizzi. E porquê? Por causa das lesões. O Benfica perdeu no início da época passada Nélson Semedo num Sérvia- -Portugal e, na Luz, se ninguém se lembra já do resultado desse jogo, todos se lembram do desgosto que foi ficar sem Semedo um ano inteiro.

O campeonato só volta dentro de duas semanas. Caberá então ao Benfica visitar o Belenenses que não é pera doce. Na sua última deslocação interna o Benfica venceu em Chaves e Rui Vitória igualou um velho recorde de Jimmy Hagan no início da década de 70. Quinze triunfos consecutivos em jogos fora de casa, é obra. No momento em que partiu Mário Wilson, cujo feitio nunca esteve a mais no futebol português, é justo recordar Jimmy Hagan, cuja personalidade, de tão "british" que era, levava ao desespero os jornalistas daquele tempo. A todas as perguntas que o aborreciam – que eram quase todas –, Hagan respondia sempre da mesma maneira: "No comments!" Sem comentários, em português. Chamavam-lhe até o "mister no comments". Era um descanso. Rui Vitória para lá caminha. Mesmo que não ultrapasse a marca de Hagan tem-se aproximado muito do treinador inglês na arte de só responder ao que quer. Outro descanso.

Bastaram 45 minutos em Vila do Conde e 18 em Guimarães
Os primeiros 45 minutos de Vila do Conde e os últimos 18 minutos de Guimarães ditaram mais uma contorção na secção de jogos florais daquilo que é o Sporting Clube de Portugal entregue a uma liderança que, ainda há meses, se ufanava de insultar árbitros ("disse-lhe coisas que nem o pior inimigo lhe diria") e de insinuar que o único óbice à sua própria valentia ("só não lhe dei um pontapé no rabo…") eram os modos intrínsecos da sua própria criação ("… porque olhando para a figura dele, tive medo que gostasse"), lembram-se? Bastaram, portanto, os tais 45 mais 18 minutos para o castigador supremo da classe da arbitragem se transformar no maior defensor da mesmíssima classe e sem olhar a preconceitos. Sendo assim, foi comunicado que se perderam 5 pontos porque os pobres dos árbitros andam a ser ameaçados pelo patronato da sociedade civil. Ameaçados para que o tempo volte para trás. Só não foi especificado a quanto "para trás" se referia exatamente o oficial comunicador.
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