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Luciano Amaral

Delírios frentistas

António Costa é dirigente de um dos dois maiores partidos e um clamoroso derrotado.

Luciano Amaral 12 de Outubro de 2015 às 00:30
António Costa anda a ver demasiada televisão. Agora, parece imaginar-se no papel de Birgitte Nyborg, a chefe dos Moderados na série de televisão dinamarquesa ‘Borgen’, convidada pela rainha para Investigadora Real (a pessoa que conduz negociações depois de eleições cujo resultado seja pouco claro) e que acaba em primeira-ministra. Mas dá a impressão de que Costa não se apercebe de várias diferenças entre as duas situações.

Uma diferença é, desde logo, estética, plano no qual Costa não tem quaisquer hipóteses. E não vale a pena elaborar mais. Mas a diferença essencial está no ponto de partida de cada um. Nyborg é dirigente de um pequeno partido e só chega à proeminência graças a um resultado eleitoral surpreendentemente positivo. Costa é dirigente de um dos dois maiores partidos e um clamoroso derrotado.

Se havia eleição fácil era esta: quatro anos de incrível austeridade estenderam-lhe o tapete. Mais: Costa candidatou-se à chefia do PS para ganhar uma maioria absoluta. Quando acusou o opositor António José Seguro de se contentar em ganhar por ‘poucochinho’, disse que isso significava que Seguro queria ‘fazer poucochinho’. Já ele propunha-se logo ali ganhar uma ‘maioria absoluta’, para que o PS pudesse fazer ‘reformas’. Quando foi eleito, há um ano, a coisa parecia feita. Foi em nome desta ideia agora risível que apeou Seguro, lançando o PS numa pré-guerra civil. Mas ao menos Seguro ganhou. Para cúmulo da inépcia, lembrou-se agora de acusar Cavaco por só favorecer o PSD, isto no mesmo momento em que desistiu de ter candidato presidencial, abrindo as portas à vitória de outro Presidente do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa. Se isto não é um nabo, vou ali e já venho.

Depois do vexame eleitoral, restava a Costa sair, garantindo a transição para um processo eleitoral interno que o substituísse, enquanto assegurava a governabilidade do País, permitindo a sobrevivência inicial do Governo PSD- -CDS e deixando o resto do combate para o seu sucessor. Em vez disso, está a pôr em causa a estabilidade do País, agarrando-se como um tolo à derrota e lançando-se no delírio da frente de esquerda, uma coisa que não existe, como ele perceberá se alguma vez governar com o ‘apoio’ do BE e do PCP. Já a minha mãe dizia: a televisão faz mal à cabeça.
opinião Luciano Amaral
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