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Luciano Amaral

Ideologia e poder

As escolas com contratos de associação fogem ao controlo dos sindicatos.

Luciano Amaral 16 de Maio de 2016 às 00:30
Diz-se que o debate sobre os contratos de associação com escolas privadas é ideológico. Estranho debate ideológico em que a direita defende subsídios e a esquerda os combate em nome do controlo da despesa pública. A verdade é que não estamos perante uma questão ideológica mas sim de poder. E de duas maneiras.

A primeira é a do poder dos sindicatos sobre o Ministério da Educação, as escolas públicas e os professores. As escolas com contratos de associação fogem a esse controlo: no conteúdo do ensino, na gestão das escolas e nas carreiras dos professores. E a coisa é tanto mais séria quanto muitas dessas escolas têm ligação à Igreja Católica. O que também explica a violência da reacção. A Igreja tem um poder de mobilização que os colégios desgarrados não teriam. Além de que nunca largou completamente a pretensão a ser uma espécie de religião pública, estatuto que perdeu no século XIX. Daí a naturalidade com que interpreta estes subsídios, bem como outras situações de ligação especial ao Estado.

A segunda maneira como esta é uma história de poder e não de ideologia é enquanto ilustração do modo de funcionamento da geringonça. De forma a obter o assentimento (ou, pelo menos, a passividade) do Partido Comunista Português (PCP) e do Bloco de Esquerda (BE) para as medidas de austeridade que já anunciou e vai anunciar, o Partido Socialista (PS) distribui-lhes uns ossos para roer. Ou seja, ao PS cabe o papel de manter a respeitabilidade perante os compromissos europeus. Para que PCP e BE não arruínem isso, o PS dá-lhes espaço para avançarem com a sua agenda de costumes (procriação medicamente assistida e barrigas de aluguer) e garante- -lhes a preservação de feudos tradicionais de poder. A Educação é o maior exemplo disso, com o ‘outsourcing’ da política educativa à Fenprof.

Veremos quanto tempo dura este equilíbrio instável.
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