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Luciano Amaral

OVNI

A TAP Não é pública nem privada. transformou-se num Objecto Voador não identificado.

Luciano Amaral 15 de Fevereiro de 2016 às 00:30
É oficial: a TAP transformou-se num Objecto Voador Não Identificado (OVNI). O PS tinha prometido antes das eleições que a companhia regressaria ao controlo público. Em vez disso, criou uma coisa própria da teratologia, nem pública nem privada.

Pior: por agora, o capital dividir-se-á a meio entre o Estado e o consórcio privado Gateway; a prazo, a Gateway pode ficar reduzida a 45% (por venda de 5% aos trabalhadores da TAP) mas mantendo o controlo executivo. Ou seja, esse controlo ficará com o accionista minoritário.

Diz o Governo que o Estado terá sempre "uma palavra a dizer" no controlo estratégico. Mas não diz qual é a ténue fronteira entre "estratégico" e "executivo". É fácil perceber a confusão olhando para o caso das rotas de e para o Porto e Lisboa, contra as quais o presidente da câmara do Porto se insurgiu. O ministro Pedro Marques tratou logo de explicar que o Estado não tinha nada que ver com rotas. Ora, se numa companhia aérea as rotas não são estratégicas, uma pessoa pergunta-se o que é. Parece que há um acordo ("parassocial", no jargão empresarial), mas o Governo não revela o conteúdo. Vai-se a ver e temos aqui uma espécie de BANIF, ou Novo Banco (NB), aeronáutico, em que o Estado tem a maioria do capital (ou, como no NB, é o credor quase integral) mas diz que não tem nada que ver com o que lá se passa.

O Governo afirma que, com esta solução, resolve o problema da privatização "desastrosa" feita pelo antecessor. Ora, parece que não resolve nada e, pelo contrário, só piora. Não serve passar a vida a dizer que aquilo que o anterior Governo fez foi mau se, depois, o que o substitui é péssimo. Mas essa parece ser a especialidade do Governo do PS. É como no Orçamento: se os de PSD e CDS eram maus, isso não é justificação para aquela coisa horrível que conseguiu produzir. Este "tempo novo" começa a ser um bocado preocupante.
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