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Luciano Amaral

Pechisbeque

Estado apresenta um desleixo generalizado no que toca às suas principais tarefas.

Luciano Amaral 3 de Julho de 2017 às 00:30
Portugal parece-se cada vez mais com as três sílabas apenas, mas de plástico, que é mais barato, de Alexandre O’Neill. Já se disse tudo sobre Pedrógão Grande, incluindo aquilo a que vamos assistindo: quinze dias depois e já uma das maiores tragédias nacionais vai resvalando para os cantinhos dos jornais sem que ninguém tenha feito um esforço sério para perceber o que aconteceu e evitar que volte a acontecer.

Em seu lugar, regressou a habitual agit-prop sobre os notáveis feitos económicos do Governo. Isto enquanto segue a espectacular desresponsabilização dos ‘responsáveis’: é enternecedor ver a polícia, a Protecção Civil e o SIRESP sacudirem a água do capote (que tanta falta fez naquele dia) enquanto o Governo assiste seráfico.

Ao mesmo tempo que isto ia acontecendo, alguém roubou uma espantosa quantidade de material militar do quartel de Tancos. Vejamos: assaltos do género acontecem, embora normalmente em zonas de guerra (como o Iraque) ou países menos desenvolvidos (como o México). Quando acontecem em países desenvolvidos envolvem operações sofisticadas, concebidas para ludibriar complexos sistemas de segurança.

Em Tancos, foi tudo bastante mais simples: bastou um alicate, para cortar a rede que ‘protege’ o paiol, e fazer uma carreirinha até cá fora, porque a videovigilância não funciona. Que mais descobriremos? Que as bazucas do Exército vieram da loja do chinês? Que os aviões da Força Aérea são de pechisbeque?

Não é para fazer disto um tratado de ciência política, mas ambos os casos mostram um Estado incapaz de cumprir a sua função essencial: proteger os cidadãos de ameaças externas e internas. De facto, o Estado português apresenta por estes anos um desleixo generalizado no que toca às suas tarefas principais, substituídas pela propaganda e pela satisfação da felicidade dos cidadãos. Não é para isso que precisamos dele.
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