Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
5
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Luciano Amaral

Petróleo no Algarve

No Algarve, só em Tavira se manteve um desenvolvimento razoavelmente harmonioso.

Luciano Amaral 4 de Janeiro de 2016 às 00:30
Passo férias na zona de Tavira há 20 anos. Na infância, passei-as muitas vezes na Fuzeta, entre Olhão e Tavira. Não fui lá durante uma década, mas regressei nos anos 90. Tudo junto, são mais de 30 anos a visitar a região, às vezes com mais do que uma deslocação por ano, distribuídos ao longo de quase 40 anos.

Nestes 40 anos, pude ver muita coisa: a passagem da Fuzeta de pequena aldeia de pescadores a uma espécie de subúrbio lisboeta, com prédios horríveis mesmo em frente à Ria Formosa e à ilha (chamada da Fuzeta); vi a sobreconstrução de Olhão e de Faro, a proliferação de construções clandestinas nas ilhas chamadas da Fuzeta, da Armona, da Culatra, do Farol, de Faro; mas também vi um desenvolvimento mais equilibrado em Tavira. Não que não existam partes do concelho com excesso de construção, sobretudo em Conceição/Cabanas de Tavira, Santa Luzia ou até na própria cidade. Mas, tudo somado, no Algarve, só em Tavira se manteve um desenvolvimento razoavelmente harmonioso, com expansão do turismo, embora aproveitando a beleza da cidade, o seu carácter histórico, a beleza natural da Ria Formosa e a beleza do barrocal (como se chama à serra que se desenvolve como uma bancada de teatro sobre o mar). De Cacela a Olhão, tendo Tavira como centro, com a ria e as várias ilhas de um lado, e a serra do outro, existe ainda um pouco do Algarve anterior ao betão e aos pubs ingleses.

Pois este último fragmento de Algarve preservado encontra-se agora ameaçado pela exploração e eventual extracção de petróleo e gás natural no mar e na serra. As licenças para prospecção e extracção já foram concedidas. Mas há um argumento económico a aconselhar que se mantenha a actividade longe da região: pode vir a destruir a principal fonte da sua prosperidade, o turismo. Sendo que, graças ao tal equilíbrio entre o desenvolvimento do turismo e a preservação patrimonial, a região deveria servir de exemplo a outras e ser premiada por isso. A população, as autarquias e gente de fora juntaram-se para pedir a interrupção do processo, ou pelo menos mais esclarecimentos.

Existe uma petição online que pode ser assinada por qualquer pessoa (http://peticaopublica.com/ pview.aspx?pi=PT78050). Para 2016, gostava muito de uma Tavira sem petróleo.
luciano amaral opinião
Ver comentários