Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
2
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Luciano Amaral

Stock e foge

Tudo isto significa que vai ficando cada vez mais difícil vender o dito banco pelo dinheiro que lá foi colocado

Luciano Amaral 22 de Setembro de 2014 às 00:30

No Novo Banco, vamos de "melhor solução" em "melhor solução": Vítor Bento era, até há dias, a "melhor solução", mas agora a "melhor solução" é Stock da Cunha. Esperemos que isto não seja como na famosa inversão da frase de Che Guevara: "De vitória em vitória até à derrota final." Para já, a sucessão de "melhores soluções" piorou tudo. O banco no qual o Estado português empenhou quase 4 mil milhões de euros já perdeu uma parte grande do valor que tinha, graças à passagem da "melhor solução" para a "melhor solução".

Tudo isto significa que vai ficando cada vez mais difícil vender o dito banco pelo dinheiro que lá foi colocado para o salvar. A que se soma a reiteração de que se quer vender "depressa".

O próprio Stock da Cunha dá a entender que foi para isso que o chamaram. Tal como Vítor Bento, parece que a sua participação no Novo Banco vai ser do tipo Stock e foge, embora por razões diferentes. Mas há mais quem ajude à festa: António Horta Osório, um especialista na matéria da relação entre dinheiro dos contribuintes e bancos, já que dirige um banco onde mais ou menos metade do capital é do Estado inglês, veio à santa terrinha explicar que alguém teria de dizer adeus a parte dos tais 4 mil milhões, porque nunca se venderia o Novo Banco por esse preço. E até explicou quem estaria interessado em comprar a coisa pelos valores irrisórios que se vão desenhando: "dois bancos portugueses", disse. Haverá melhor maneira de desvalorizar um bem que se quer vender do que pré-anunciar urgência na venda e do que declarar que o bem não vale o que se gastou nele? O comprador agradece.

O grande problema desta história toda continua a ser o mesmo. Se estivéssemos perante uma mera fusão ou aquisição entre bancos privados, era uma questão privada sem outra relevância. Mas parece que estamos a assistir a uma aquisição entre bancos privados intermediada pelo Estado e onde o contribuinte desembolsou a maior parte do dinheiro em jogo. Se a venda não vai render o que foi gasto, então alguém terá de pagar a diferença. O Governo repete que serão os outros bancos a fazê-lo. Mas que forma tem o Governo de o assegurar, quando nem sequer exigiu garantia sobre o empréstimo? O que é este puxão na carteira que estou a sentir?

No Novo Banco Vítor Bento Che Guevara vitória Novo Banco António Horta Osório Governo política
Ver comentários