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Luís Campos Ferreira

Consenso no betão?

O PS não tem demonstrado muita abertura quando não é ele a propor temas.

Luís Campos Ferreira 24 de Agosto de 2017 às 00:30
A capacidade de se alcançar consensos em matérias que são essenciais e estruturantes para um país é assim como uma espécie de teste do algodão das democracias adultas.

Em Portugal, tais consensos contam-se pelos dedos de uma mão (não estou a falar de unanimidades em torno de causas mais ou menos avulsas).

Por isso, quando existem apelos a consensos, a primeira coisa que há a fazer é ouvir, ouvir com suficiente abertura de espírito e o necessário sentido de responsabilidade. Depois se verá se o consenso é possível ou não, mas primeiro tem que haver aquela disponibilidade.

Quando o primeiro-ministro convoca os partidos da oposição para consensos em torno dos investimentos em obras públicas para os anos que aí vêm, é para mim claro que tem de haver disponibilidade para ouvir e discutir da parte de todos.

Estando em causa medidas estruturantes com impacto no médio e longo prazo do País, a resposta não pode ser o silêncio nem a indisponibilidade.

Como também não pode ser a ausência de discussão, a falta de crítica ou o simples passar de cheques em branco.

Porque tão importante como corresponder com disponibilidade a esses reptos é que quem os faça esteja igualmente disponível para convergir e não apenas para impor os seus pontos de vista. E que aceite trabalhar para outros consensos que são estruturais e inadiáveis para os portugueses: na segurança social, na área fiscal, na área laboral, no sistema eleitoral, na descentralização, na educação…

Acontece que o Partido Socialista, antes na oposição e agora no poder, não tem demonstrado muita abertura quando não é ele a propor os temas e os termos para os consensos.

A quantos apelos para discutir a reforma da segurança social o PS disse não? A todos. Fica a impressão de que, para os socialistas, estrutural e duradouro tem que ser… de betão.
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