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Luís Campos Ferreira

Estranhezas

Este governo reduziu o investimento público a mínimos históricos.

Luís Campos Ferreira 21 de Setembro de 2017 às 00:30
É conhecida a vertigem socialista pelas grandes obras públicas, sejam elas necessárias ou não, viáveis ou não, pagáveis ou não. O passado recente aí está para nos lembrar (e para pagar).

Agora, com os olhos no futuro, o governo de António Costa já está a pensar nos grandes investimentos para depois de 2020, a inscrever no próximo quadro comunitário de apoio, e, para isso, anda a pedir consensos alargados. Faz bem em pensar e faz bem em querer consensos. Mas há aqui pelo menos duas coisas que causam estranheza e perplexidade.

A primeira é que este é o mesmo governo que meteu o investimento público na gaveta, reduzindo-o a mínimos históricos. Uma opção política e orçamental para reduzir o défice, que deteriorou tremendamente a qualidade dos serviços públicos prestados aos portugueses. E a segunda perplexidade é que o governo quer discutir o próximo plano de investimento sem dizer o que pretende fazer com o plano actualmente em vigor. Falo do plano estratégico de transportes e infraestruturas elaborado pelo anterior governo e amplamente consensualizado, inclusive com o PS.

Um plano pensado e coerente, com prioridades definidas e com projectos estruturantes fundamentais para a nossa economia. Ora, uma parte significativa desses projectos ainda não avançou e não se sabe sequer se algum dia vai avançar, porque o governo não diz. Só em termos de rede ferroviária, há centenas de quilómetros que não saíram do papel.

O mesmo para importantes infraestruturas marítimas, que permanecem encalhadas por opção deste governo. Vão estes projectos para a frente? Não vão? Não se sabe, e vamos continuar sem saber. Acredite-se ou não, ontem mesmo, a maioria de esquerda chumbou um projecto da oposição que recomendava ao governo a divulgação do grau de realização desses investimentos públicos. Agora, não querem saber. Mais uma estranheza…
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