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Luís Campos Ferreira

Figurazinhas

Um PS responsável e tolerante está transfigurado pela arrogância do poder.

Luís Campos Ferreira 17 de Agosto de 2017 às 00:30
Por estes tempos, há um PS desaparecido em parte incerta. Também o estão o PCP e o Bloco de Esquerda, tal é a amálgama desta maioria dominada pelo poder centrífugo de António Costa.

A identidade histórica do PS está feita em frangalhos, subjugada pelo discurso eufórico de um líder e de um primeiro-ministro imbatíveis. Como se esta bebedeira de poder fosse um substituto aceitável dos ‘velhos’ valores do ‘velho’ PS.

Mário Soares sabia que não era assim, sabia que os valores que definem um partido (como os que definem uma pessoa) não são dispensáveis – ele, que teve sempre a mesma dignidade e a mesma firme convicção, estivesse no poder ou na oposição. Mas os tempos, hoje, são outros.

E é ouvir algumas das actuais proeminentes figurazinhas do ‘novo’ PS para se perceber como um partido responsável e tolerante está transfigurado pela arrogância do poder.

Uma dessas figuras, em reacção ao discurso de Pedro Passos Coelho na Festa do Pontal, não só atirou acusações ridículas e infundadas de racismo e xenofobia a propósito das alterações à lei da imigração, como não teve a coragem de assumir essas alterações como suas.

Este é o PS do toca-e-foge, o PS das insinuações e das verdades alternativas. Um PS jactante e sempre confiante que pode dizer o que lhe apetece porque a) ninguém o vai questionar e b) a sua mensagem vai ser massivamente veiculada até ser assumida como a única verdadeira.

Uma coisa é certa: ninguém no PS ou no Governo desmentiu o que está verdadeiramente em causa com estas alterações às regras de entrada e permanência em solo português.

E o que está em causa, já aqui o escrevi na semana passada, é o risco para a segurança de quem aqui vive – seja português ou estrangeiro -, e que vai ao ponto de impedir a expulsão de quem comete homicídios e outros crimes violentos.

É isto o que o PS defende hoje. Populismo de esquerda no seu melhor.
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