Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
3
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Luís Campos Ferreira

Governar não é agradar

Nos taxistas, o Governo resistiu à tentação de agradar a todos, como é seu apanágio.

Luís Campos Ferreira 13 de Outubro de 2016 às 01:45
São muitos os sinais errados que o governo tem dado para dentro e fora do País desde que tomou posse. Um dos sinais mais perniciosos, porque emana da natureza demagógica e populista a que as esquerdas são tão propensas, tem a ver com a ideia de que, com este governo, tudo é possível, todas as exigências são atendidas, tudo pode ser contemporizado.

A mensagem fez rapidamente o seu caminho, ou não fosse ela em grande parte dirigida ao novo parceiro preferencial do governo, a CGTP, que cedo tratou de fazer valer o seu peso na balança da geringonça. O modo como a Educação foi capturada pela Fenprof logo nos primeiros meses é paradigmático.

O mesmo ocorreu noutras áreas. A troco de uma paz social artificial - porque às custas de uma cedência cega aos sindicatos que têm na mão a máquina de agitar as ruas -, o governo foi sinalizando irresponsavelmente que, com um sorriso aqui e um jeitinho acolá, tudo se consegue e todos ficam satisfeitos. Vem isto a propósito da última manifestação dos taxistas.

O governo começou por prometer a uns e a outros uma solução que sabia de antemão era impossível agradar a todos. Embalados nesse equívoco conscientemente semeado pelo governo, e munidos tanto das razões que legitimamente entendem que lhes assistem como das contradições em que os próprios se enredam, os taxistas embateram no muro da realidade.

Afinal, o bloqueio de longas horas, os danos para o turismo, os transtornos para as pessoas, as buzinadelas, as exaltações e outros excessos lamentáveis não tiveram os efeitos desejados junto do governo para fazer vingar as suas pretensões.

Talvez involuntariamente, porque não é a sua prática, pode dizer-se que, na forma como lidou com esta manifestação, o governo até esteve bem: manteve a sua posição e resistiu à tentação de agradar a todos, como é seu apanágio. Registo essa novidade, mesmo que para o governo isso signifique desmascarar-se a si próprio.
CGTP Educação Fenprof Governo taxistas política
Ver comentários