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Luís Campos Ferreira

Lembrar 2017

País não suportará nem aceitará que o Estado volte a falhar como falhou em 2017.

Luís Campos Ferreira 28 de Dezembro de 2017 às 00:30
O ano que agora acaba não pode ser um ano para esquecer. Há que manter bem presente a memória das tragédias que o País viveu em 2017, não por um exercício de masoquismo colectivo, mas para retirarmos todas as lições possíveis, para estarmos cientes de que se aprendeu com os erros e preparados para que não voltem a acontecer.

O que Marcelo Rebelo de Sousa tem feito pelas populações afectadas, a força que tem levado aos familiares e amigos das vítimas, a presença constante junto dos que mais sofreram, a determinação em manter o tema na agenda mediática e a pressão que tem exercido no sentido de que os responsáveis políticos façam o que tem de ser feito, só isso já valeu o seu mandato como presidente de todos os portugueses.

Marcelo que também obrigou o primeiro-ministro António Costa a refrear a sua euforia perante os resultados conseguidos este ano na frente económica e financeira. É que, como bem disse o Presidente, este foi um ano contraditório, em que aconteceram de facto coisas boas ao País mas em que aconteceu também o pior que lhe podia ter acontecido.

(Eu acrescentaria que este é também um povo contraditório, que deu provas de uma inexcedível solidariedade no apoio às vítimas dos fogos mas que pesquisou no Google mais sobre o ‘Love on top’ do que sobre os incêndios).

Porque Marcelo é um profundo conhecedor da natureza humana e, mais ainda, da natureza dos políticos, sabe que é grande a tentação de esquecer o que corre mal e de sobrevalorizar o que corre bem. Há fundadas esperanças de que desta vez será efectivamente diferente.

Até porque o País não suportará nem aceitará que o Estado volte a falhar como falhou em 2017. Daí este imperativo da memória, que não se deve reduzir a uma contemplação dolorosa do passado, mas antes deve funcionar como um permanente alerta para o futuro.
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