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Luís Campos Ferreira

Nós ou eles

Temos de atacar os cobardes no seu covil e levar a cabo uma ação musculada às células do Daesh.

Luís Campos Ferreira 24 de Março de 2016 às 01:45
Um ataque terrorista nunca é mais um. Vidas inocentes são destruídas, violentadas e condicionadas, sem que nada o justifique. Procurar justificações é ceder à chantagem.

O cobarde ataque a Bruxelas foi um ataque à essência da Europa e contra os valores da paz, da dignidade humana e da tolerância. Após os ataques de Paris, e como membro do anterior Governo, pude expressar no Conselho de Segurança das Nações Unidas que, perante estes ataques, "a Comunidade Internacional tem o direito legal e o dever moral de agir de forma concertada para pôr fim ao Daesh, entidade fanática e terrorista".

Um combate a travar em três frentes. De imediato, com o reforço intenso dos ataques da coligação internacional contra o Daesh, na Síria e no Iraque. Temos que atacar os cobardes no seu covil. Impõe-se também uma musculada ação policial às células do Daesh, em Bruxelas e na Europa em geral, aprofundando efetivamente a cooperação policial e dos serviços de informações europeus.

Por fim, há que investir em políticas promotoras de uma verdadeira integração de emigrantes e seus descendentes, reforçando a coesão multiétnica, multicultural e multirreligiosa, secando as raízes da radicalização e do extremismo.
É essencial o papel do islão moderado e pacífico, que representa a grande maioria dos crentes muçulmanos, e que deve assumir um papel central na luta ao fundamentalismo.

Duas notas finais:

1) O terrorismo e a crise dos refugiados estão interligados. Mas não na perspetiva dos xenófobos demagógicos islamofóbicos. O problema não são os refugiados, mas o que os leva a procurar refúgio, ou seja, os bárbaros do Daesh. É nossa obrigação moral acolher os primeiros e combater os segundos.

2) A liberdade de expressão não pode ser incompatível com a erradicação de apelos e apoios ao jihadismo nas redes sociais. Tweeter, Apple e companhia têm que agir com responsabilidade social e cortar-lhes as vazas. Sem contemplações.
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