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Mafalda de Avelar

Brasil, país onde a realidade supera a ficção

Conhecido pelas novelas, o país está a viver uma sequência de episódios que parecem mentira.

Mafalda de Avelar 20 de Março de 2016 às 01:45

1. Episódio insólito n.º 1

No início da semana, depois de mais de 6 milhões de pessoas se manifestarem contra o governo de Dilma, a comunicação social brasileira dava conta de que o ‘impossível’ iria acontecer: Lula iria aceitar o cargo de ministro, numa tentativa de fugir à ‘justiça normal’, aquela que julga o ‘povo’, que Lula tanto defende. Lula teria, assim, para uns, um tratamento privilegiado. Para outros, "um tratamento menos político e mais justo".

2. Episódio insólito n.º 2

Lula aceitou. Quinta-feira de manhã, "Lula está de volta ao governo" (comentava-se em off que, afinal, Lula nunca "teria deixado o governo"). Indiferente às manifestações e até à classe política, Lula virou ministro da Casa Civil às 10h (locais). Às 11h, a Justiça Federal anulou a tomada de posse. Novela?

3. Cenas dos próximos capítulos

Para existir um ‘impeachment’, será necessário que "todos", incluindo o PMDB, maior partido da coalizão de governo, deixem a presidente cair. E o problema, esse, é só um. Todos têm telhados de vidro no caso Lava Jato.

4.Operação antiterrorismo

Depois de casa roubada, trancas à porta. E a polícia belga, conjuntamente com a francesa, não está – e muito bem – a dormir. França e Bélgica, dois países tradicionalmente acolhedores, ambos bem no centro da Europa, têm grandes comunidades de estrangeiros e há quem diga mesmo que é na Bélgica que está montado o grande ninho do terrorismo na Europa. Sob alerta máximo, na Bélgica, um suspeito foi abatido pelas autoridades; e em Paris três homens e uma mulher foram detidos por estarem a planear um atentado.

5. Rússia retira tropas do território sírio

Está ser muito bem interpretada pela comunidade internacional a retirada de metade das tropas russas que tinham sido enviadas para a Síria. O anúncio foi feito esta semana pelo presidente russo, Vladimir Putin. E os resultados práticos e diplomáticos dessa decisão não tardaram a revelar-se. O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, irá visitar Moscovo. Confiante, Kerry acredita que esta retirada constitui um passo importante no processo de paz nesse país do Médio Oriente. Esta é uma boa oportunidade para acabar com a guerra. Mas a solução duradoura para a Síria não passa apenas pela retirada das tropas que tinham sido enviadas pela Rússia. Há muitas variáveis em jogo: o regime de Bashar al-Assad, a suposta transição política, os grupos rebeldes e ‘os outros’ apoios internacionais (em campo).

6. Síria já vai em cinco anos de guerra

Cinco anos de guerra na Síria. Mais de 500 mil pessoas mortas, cidades completamente destruídas, falta de água, de luz, de vida. Hospitais bombardeados, escolas inexistentes, crianças sem pais, pais que enterram os filhos. O Mundo está a viver uma das maiores guerras de sempre. As consequências deste conflito entre o regime do presidente Bashar al-Assad e os grupos rebeldes são aterrorizadoras.

7. Falta de respostas para 4,8 milhões

Segundo a agência de refugiados das Nações Unidas, mais de 4,8 milhões de sírios estão espalhados pelos países vizinhos. O Mundo supostamente "mais desenvolvido" (onde se inclui a Europa) está sem capacidade de resposta perante a mais grave crise de refugiados desde a II Guerra Mundial. Foram pedidos 897 mil pedidos de asilo entre 2011 e 2015. E os ataques de grupos rebeldes, incluindo Daesh e Al Nusra, não dão tréguas. Tudo isto por terem apoios internacionais fortes.

8. Casal Clooney em nome dos refugiados

Mediáticos, os Clooney dão nas vistas perante o drama dos refugiados. Amal, advogada de direitos humanos, cuja família fugiu da violência do Líbano nos anos 80, e George, que reafirma as origens irlandesas, falam em vídeo da importância da aceitação de migrantes. (Suspeita: Clooney será, ‘in the future’, forte candidato à Casa Branca. A primeira-dama, essa, estará à altura).

9. A Madre e o preso na Coreia do Norte

A Madre Teresa de Calcutá, conhecida pelo trabalho em zonas degradadas, será canonizada a 4 de setembro, anunciou neste semana o papa Francisco. Quem precisa de que se reze por ele é o estudante americano de 21 anos condenado a 15 anos de prisão por ‘roubar’ um cartaz na Coreia do Norte (repúdio).

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