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Magalhães e Silva

O novo hardcore

Só um pacto da ONU pode parar a diarreia mediática do terror.

Magalhães e Silva 24 de Julho de 2016 às 00:48
Quando do Portugal-França, o ‘Frankfurter Allgemeine’ trouxe uma detalhada narração do jogo, com esquemas gráficos das táticas de Fernando Santos, em cada fase da partida. Isto é jornalismo desportivo.

Nós, semanas a fio, infestamos os canais de cabo, e até os generalistas, de combates de palavras, clubismos e várias inanidades, que alimentam o delírio irracional – eu não disse emoção – com que um dos mais entusiasmantes desportos é vivido.

O mesmo se passa com os episódios terroristas. Não lhes vou dizer o nome, que todos sabemos quando, onde e quem. Venho apenas protestar por esta pornografia do terror, com diretos, dia inteiro, as mesmas imagens transmitidas cem vezes, e toda a gente a dizer o óbvio.

Não se preocupem os terroristas com o marketing da imagem; nós tratamos disso. Não bastaria dizer o que se passou – informar é libertar –, em notícia seca e breve, com pêsames às famílias, sem câmaras ao pé? Este hardcore gera a xenofobia que infesta a Europa e não deixa perceber que, fosse a maioria dos muçulmanos aqui residente fanática, e Paris e Berlim estariam a arder.

A única resposta eficaz ao terrorismo é coutá-lo na clandestinidade em que vivem os seus autores.
Frankfurter Allgemeine Fernando Santos Europa Paris Berlim
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