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António Marinho e Pinto

Lições da Grécia

Além de Atenas, há um velho problema que se chama Alemanha.

António Marinho e Pinto 2 de Fevereiro de 2015 às 00:31

Ainda os votos não tinham sido todos contados nas últimas eleições gregas e já um balde de água fria era despejado sobre as cabeças daqueles que, como eu, saudaram a vitória eleitoral do Syriza como um primeiro passo para as reformas de que a Europa carece. Imediatamente após as eleições, o Syriza anunciava uma coligação com um partido antissemita, xenófobo e homofóbico, politicamente mais próximo dos neonazis da Aurora Dourada do que do próprio vencedor das eleições. A única coisa que o parceiro de coligação tem de aceitável para o Syriza (mas que nem aí o identifica plenamente com ele) é o antieuropeísmo, aliás, primário e demagógico em muitos aspetos, pois é evidente que, hoje, a Grécia só poderia sobreviver fora da UE com custos incomensuravelmente maiores do que os que tem suportado.

O que há a fazer não é recusar em bloco a UE, mas lutar dentro dela por reformas profundas no seu funcionamento, começando por denunciar a decadência moral das instituições e o aventureirismo político dos dirigentes atuais. Lutar dentro da UE contra os nacionalismos e as pulsões imperialistas que estão a arrastá-la para conflitos de consequências imprevisíveis. Lutar pelo respeito efetivo da cidadania europeia e dos direitos humanos e para que o combate ao terrorismo se faça sobretudo com medidas políticas que resolvam os conflitos que o justificam religiosa ou ideologicamente. As reformas passam também pela denúncia dos imensos privilégios dessa nova nobreza europeia que são os titulares de cargos políticos da União (incluindo eurodeputados) enquanto os povos que representam vivem, em alguns casos, na pobreza ou mesmo na miséria. As verdadeiras soluções para os problemas das dívidas públicas conseguem-se à mesa de negociações sérias com quem emprestou o dinheiro e não com ameaças unilaterais de incumprimento nem com discursos populistas, demagógicos e eleitoralistas.

Na Grécia, como em Portugal, as soluções de futuro exigem que se comece por usar uma linguagem de honestidade e de verdade e não persistir em enganar o povo com ilusões e fantasias.

Problemas europeus e germanofobia

Além de Atenas, há um velho problema que se chama Alemanha

A Grécia saída das eleições parece constituir um problema novo para a Europa. Mas não é o único. Há também um problema velho que se chama Alemanha e o seu prussianismo económico e financeiro. Ignorar um deles é tão grave como ignorar os dois.

Hoje o combate dos democratas deve ser contra a germanofobia que está a crescer

Todos nos lembramos do combate que os democratas europeus travaram contra a germanofilia antes e durante e segunda guerra mundial. Hoje o combate dos democratas deve ser contra a germanofobia que está a crescer em muitos países da Europa.

Pergunta e lição política

Haverá uma agenda política oculta no sistema judicial que leva à realização de crimes?

Podem os cidadãos confiar num sistema judicial que acumula indícios demasiado fortes de ter uma agenda política oculta para cuja realização não hesita em cometer crimes entre os quais a violação do segredo de justiça pode não ser o mais grave?

Partidos políticos tradicionais mudam de dirigentes como as raposas mudam de pelo

Uma lição que o regime político-partidário me ensinou, há muito anos, aqui, em Portugal: os partidos políticos tradicionais mudam de dirigentes como as raposas mudam de pelo. Mas, tal como estas, não mudam de hábitos – nem de clientelas.

 

Bloco de notas

Tchau, Zé Manel
Não pude, meu Caro Zé Manel, estar no último encontro que marcaste. Estava em Praga a celebrar o fim das atrocidades que aqueles arianos altos e loiros (tal e qual como o chefe deles) fizeram na Europa há setenta e tal anos. Ouvirei, por isso, em tua memória, o adeus à vida do grande Mário Cavaradossi e o Invierno Porteño do velho Astor. E, claro, beberei uma, estupidamente gelada, como nos velhos tempos aqui em Coimbra.

Divisionismo
Na Grécia não resultou a tentativa de retirar votos ao partido vencedor levada a cabo por dissidentes do próprio Syriza agrupados no partido Dimar, que foi apoiado entre nós por Rui Tavares. Vamos ver se em Portugal, nas próximas legislativas, os grupos e grupinhos de dissidentes do BE, agora aliados de António Costa, conseguem enfraquecer ainda mais o BE em benefício do PS.

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