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António Marinho e Pinto

O senhor-mentira

Sob ordens de um pistoleiro, George W. Bush, arrastaram a Europa para uma das guerras mais estúpidas e cruéis de que há memória.

António Marinho e Pinto 29 de Dezembro de 2014 às 00:30

Há cerca de doze anos, três aventureiros europeus, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso, sob as ordens de um pistoleiro americano, George W. Bush, arrastaram a Europa para uma das guerras mais estúpidas e cruéis de que há memória. Quais cavaleiros do apocalipse, eles espalharam no Médio Oriente a guerra, a morte, o sofrimento e a destruição indiscriminada.

Centenas de milhares de pessoas, incluindo idosos, crianças e mulheres, foram mortas e milhares de famílias foram destroçadas. E, numa imitação macabra das práticas que diziam combater, eles institucionalizaram o terror e a tortura em locais clandestinos oferecidos por vários governos europeus, mas sobretudo nesses monumentos à barbárie e à estupidez humana que são a prisão de Abu Ghraib e o campo de concentração de Guantánamo.

Para levar a cabo os seus intentos, eles inventaram a mais cínica de todas as mentiras: a de que o país alvo dessa fúria, o Iraque, possuía armas de destruição em massa. E essa mentira foi apresentada às opiniões públicas dos países envolvidos por jornalistas e órgãos de informação servis, mesmo contra a opinião dos inspetores das Nações Unidas que não confirmavam sequer a existência de indícios de tais armas. E, para vergonha de Portugal e dos portugueses, o então Primeiro-Ministro, Durão Barroso, prestou-se ao papel ignóbil de garantir publicamente que o Iraque possuía arsenais daquelas armas pois ele, em pessoa, tinha visto as provas que demonstravam essa existência.

Pois bem! Concluída a cruzada, verificou-se que tudo não passara de um embuste. E então, Durão Barroso, em vez de ser sancionado pela sua mentira serventuária, acabou por ser convidado para presidente da Comissão Europeia. E o mais grave não é que ele tenha chegado a esse lugar depois de ter mentido de forma tão vergonhosa.

O mais grave é que ele só foi, de facto, nomeado presidente da Comissão Europeia justamente porque se prestara a desempenhar o papel desprezível que lhe haviam encomendado, ou seja, o de publicamente garantir ser verdade aquilo que ele conscientemente sabia que era uma mentira. Um vassalo assim tão zeloso teria de ser recompensado com um lugar onde essa vassalagem pudesse ser ainda mais útil. E foi…!

Pandur e submarinos Soube-se na semana passada que as contrapartidas devidas ao Estado pela compra, em 2004, por centenas de milhões de euros, dos carros de combate Pandur só tinham sido realizadas em menos de 20%. Paulo Portas, o ministro da Defesa que promoveu o negócio (e também o dos célebres submarinos), deve uma explicação ao País. Para isso, porém, deveria ter sentido de Estado, respeito pelo povo e a consciência limpa.

Conveniências João Perna, o motorista de José Sócrates que estava preso preventivamente, foi para casa com pulseira eletrónica, depois de ter prestado declarações. Independentemente do que disse, fica a terrível impressão de que o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal mais não é do que um alongamento funcional do MP que prende ou liberta apenas quando isso convém à acusação.

Prisão de Sócrates e salário mínimo

Saber quem é mais digno ou indigno, o PS de Sócrates ou o ex-primeiro-ministro: Não sei quem é mais (in)digno de quem: se o PS do seu antigo líder, preso preventivamente, por alegados indícios do crime de corrupção, se José Sócrates de um partido que levou ao governo com maioria absoluta mas que ainda não teve a coragem de dizer uma palavra sobre a sua prisão.

Demagogia no caso do salário mínimo, que até podia ser aumentado para 600 euros: António Costa propôs o aumento do salário mínimo para 522 euros. Mas se propusesse a redução do preço da energia e das taxas de juros, até poderia aumentar o salário mínimo para 600 euros mensais, pois essas medidas fariam crescer exponencialmente a competitividade das empresas.

A presunção de culpa e o terrorismo

O sentimento de presunção de culpa dos suspeitos generalizou-se: O silenciamento forçado dos presos preventivos e a persistente divulgação de factos sempre favoráveis às teses da acusação generalizaram no País um sentimento de presunção de culpa dos suspeitos que transforma o princípio da presunção de inocência numa vil caricatura de si próprio.

Combate ao terrorismo

Internacional e diferença entre civilização e barbárie: Alguns Estados Modernos, com destaque para Israel e Estados Unidos, tentam convencer a opinião pública internacional de que o combate ao terrorismo pode usar os mesmos métodos dos terroristas. Acaba, assim, a diferença entre civilização e barbárie que demorou tanto a conseguir.

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