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António Marinho e Pinto

Viscosidade

Os partidos da oposição tradicional são uma ficção de oposição.

António Marinho e Pinto 4 de Maio de 2015 às 00:30

Desde há quarenta anos que Portugal está a ser, sucessiva e alternadamente, governado pelo PS e pelo PSD, ora sozinhos, ora com a ajuda do CDS. Refira-se como curiosidade que o PS já fez uma coligação de governo com o CDS, no tempo em que Mário Soares meteu o socialismo na gaveta e Freitas do Amaral dizia que o seu partido era "socialista personalista".

Os partidos da oposição tradicional são uma ficção de oposição, pois nunca constituíram (por vontade própria ou por incapacidade política) uma efetiva alternativa de governo. O PSD sucede impreterivelmente ao PS e este substitui inexoravelmente aquele, seja qual for a gravidade dos erros ou os crimes que cada um deles tenha cometido no governo. O PCP, vigiado pela extrema-esquerda (primeiro a UDP e depois o BE), faz sempre aquilo que melhor sabe fazer: organizar greves e manifestações. Todos sabem que, na altura da prestação de contas (eleições), o partido que está de saída voltará depois de o seu sucessor mostrar que é igual a si, ou seja, depois de fazer o mesmo ou pior do que o anterior. A situação atingiu, pois, a mesma viscosidade política que o Partido Progressista e o Partido Regenerador criaram no final do século XIX.

A comunicação social, essa, divide-se entre os que nos alertam contra os perigos trazidos pelo partido que regressa ao poder e os que nos mostram como se tornou insuportável a presença no governo daquele que está de saída. E, em ambos os casos, sempre com um sensacionalismo e um dramatismo que quase se confundem com o terrorismo psicológico. Infelizmente, a comunicação social deixou-se assimilar pelo sistema político, tornou-se parte integrante dele, contribuindo, assim, decisivamente para a sua viscosidade, não só porque o propagandeia até à exaustão, mas sobretudo porque silencia deliberadamente as verdadeiras alternativas. A ostensiva falta de cobertura informativa da minha candidatura, em 2014, ao Parlamento Europeu e o silêncio que agora paira sobre as iniciativas do Partido Democrático Republicano (PDR) são disso um exemplo flagrante que envergonha a democracia portuguesa.

Nada de novo - Todas as semanas o PDR promove ações, sem que a comunicação social informe disso os portugueses. O seu labor informativo vai para os líderes do PS, PSD e CDS ou então para os partidos da oposição dentro do sistema e, por isso, não são alternativa a ele. Sobre o PDR e o seu líder, apenas mentiras ou notícias negativas – como
a ditadura fazia à oposição antes do 25 de Abril.

Maldição - A única certeza que António Costa dá se chegar a primeiro-ministro é a de que será corrido daqui a alguns anos com o mesmo desprezo com que o país agora vai varrer o PSD/CDS. Mas valerá a pena o "sacrifício" da governação pois, tal como no passado, a clientela do PS fará ótimos negócios à custa do património do Estado e os seus boys terão bons jobs durante esse período.  

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