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Miguel Alexandre Ganhão

Reformados de todo o Mundo, uni-vos!

Quem se reformar daqui a três anos terá uma pensão que é metade do último salário.

Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 5 de Dezembro de 2016 às 00:30
A partir de janeiro, a idade da reforma sobe para 66 anos e 3 meses. E para se ter a pensão completa sem penalizações será preciso trabalhar mais um mês. Mas passou completamente despercebido um relatório da Comissão Europeia sobre as perspetivas de envelhecimento nos 28 países da UE que mostra não só que temos de trabalhar mais, mas que vamos receber muito menos.

Os números para Portugal são assustadores. Não se trata de um problema de solidez do sistema de pensões público, trata-se da consequência da aplicação do fator de sustentabilidade que faz depender o valor da reforma da esperança média de vida. Um indicador que é aplicado no nosso país desde 2008.

Segundo os cálculos da Comissão para Portugal, quem se reformar a partir de 2050, ou seja, quem agora tem entre 35 e 40 anos, só pode contar com uma pensão pública que não irá além dos 35% do último ordenado. Para os que se reformem a partir de 2055, a percentagem fica pelos 30,7%. A taxa de substituição, que relaciona o último ordenado com a primeira prestação de reforma, irá baixar dramaticamente em Portugal a partir de 2020, altura em que os novos reformados só podem contar com uma pensão que será metade do último salário.

A pressão faz com que as carreiras contributivas tenham de ser cada vez mais longas. O estudo mostra que, em Portugal, no ano de 2013, a carreira média rondava os 28,4 anos de descontos. A partir de 2055, para ter uma pensão que não irá além dos 30% do último salário, é preciso descontar 36 anos e quatro meses.

Macedo da CGD tem de pagar 27 milhões à sua antiga casa
Existem ironias na vida. Na mesma semana em que Paulo Macedo aceitou ser presidente da Caixa Geral de Depósitos, o banco público recorreu aos tribunais administrativos e fiscais de Lisboa para impugnar uma dívida de 27,3 milhões de euros exigida pela Fazenda Pública. Não estaremos muito longe da verdade ao dizer que o que está em causa serão impostos não pagos. E aqui é que reside a ironia. Paulo Macedo ganhou fama como diretor-geral dos Impostos no tempo de Manuela Ferreira Leite e não quererá que o banco a que agora preside esteja em falta com a sua antiga casa.


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