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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Miguel Alexandre Ganhão

Um abraço que pode estrangular

No próprio dia em que se conheceu o fim da parceria com Isabel dos Santos, a Sonae SGPS perdeu 30 milhões em Bolsa.

Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 1 de Outubro de 2015 às 00:30
Tudo começou há muitos anos com a Unitel. Ainda no tempo de Bava e Granadeiro, a empresa de telecomunicações de Isabel dos Santos recusava entregar os dividendos ao acionista Portugal Telecom (PT). A recusa durou anos e anos. Chegou a acumular 200 milhões de dólares e acabou com a empresa portuguesa a colocar três processos judiciais... em Angola.

Agora chegou a vez da Sonae e do BPI. Sim, porque existe uma ligação entre as duas realidades. A Unitel é dona de 49,9% do Banco de Fomento de Angola (BFA), os restantes 50,1% são do BPI. Por ordem do Banco Central Europeu (BCE) o banco português separou os seus negócios em África e quer agora vender a participação no BFA. Isabel dos Santos quer comprar!

Um dos cartões de crédito comercializados pelo BFA tem o nome de Kandandu... e aqui passamos diretamente aos hipermercados e à Sonae. Desde 2011 que a filha do presidente angolano estabeleceu uma parceria com a empresa de Paulo Azevedo para lançar a marca Continente em Angola. Depois de inúmeras reuniões entre ambas as partes, Isabel achou por bem continuar sozinha... ninguém falou... mas na segunda-feira, assim que se conheceu o fim da parceria, a Sonae SGPS perdeu 30 milhões de euros em Bolsa. Paulo Azevedo engoliu em seco, e só admitiu publicamente o fim do sonho angolano depois de a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) o ter obrigado.

Isabel dos Santos divulgou nas redes sociais o "seu novo projeto": uma rede de hipermercados com a marca Candando (ainda se recordam do Kandandu do BFA?) que significa ‘abraço’ em kimbundo. Existem abraços que, de tão apertados que são, podem estrangular.


Cesário embarca em executiva mas senta-se em económica
No aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, o secretário de Estado das Comunidades embarcava com destino a Portugal. No terminal F, porta 49, José Cesário aproveitou as facilidades da classe executiva para embarcar sem problemas. Mas um zeloso assessor avisou o governante de que alguém o tinha fotografado na passadeira VIP. Cesário não foi de modas, sentou-se na primeira fila da classe económica... profundamente contrariado.
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