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Miguel Azevedo

Mais do que um nome

Filipa Cardoso é uma daquelas fadistas que já mereciam outro reconhecimento.

Miguel Azevedo 12 de Setembro de 2015 às 00:30
Luz e beleza... Filipa Cardoso (uma das vozes em cartaz na edição do Caixa Alfama deste ano) é uma daquelas fadistas que já mereciam outro reconhecimento. Carrega o bairrismo na voz, tem o timbre certo para cantar a saudade, quase sofrido e dorido, tem a escola da Maria da Fé, representa como uma fadista deve representar a canção de Lisboa, adota os jeitos certos, tem a postura que se exige, canta a dor como se nela vivesse enredada, vai lá atrás ao tradicional, canta o fado ‘negro’, mas tem a luz e a beleza de uma fadista moderna. Quis o destino, o seu fado, que andasse uns anos (quase dez) afastada e talvez por isso (e por alguma falta de sorte ou de conhecimentos) se tenha atrasado a apanhar a boleia do fenómeno em que se transformou a canção de Lisboa. Na entrevista que me deu, revelou que vai começar brevemente a gravar uma pequena personagem para o novo filme de José Fonseca e Costa e que prepara um novo disco, com uma colaboração improvável mas que atesta que também ela quer ser vista como mais do que uma fadista tradicional: Boss AC.

História... Mais do que um festival urbano, o Caixa Alfama é um festival bairrista (por muito que ande pelo Mundo, o fado será sempre bairrista) e como tal recheado de histórias bairristas. Do festival do ano passado perdura o episódio caricato de um senhor, já com uma certa idade, que quando percebeu que tinha de trocar o bilhete por uma pulseira (e que não a podia tirar durante os dois dias) iniciou uma discussão inédita. Tudo porque pretendia ir no primeiro dia com uma namorada e no segundo com outra. Para piorar, também não podia regressar a casa de pulseira no pulso porque à espera ainda tinha a sua legítima esposa. Acabou a pedir o livro de reclamações.
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