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Miguel Guimarães

Medicina a retalho

É mais caro ao SNS recorrer à contratação externa.

Miguel Guimarães 23 de Fevereiro de 2017 às 00:30
A realidade dos últimos anos no SNS não mudou: falta muito ou um pouco de tudo, incluindo uma boa dose de bom senso. Continuamos a assistir a um crescimento da contratação externa, com recurso às empresas de trabalho médico temporário. Em 2016 foram gastos mais de 95 milhões de €.

Não raras vezes, este tipo de empresas desrespeita os protocolos, dificultando a governação clínica. Falham a colocação de médicos, contribuindo para adiar atividade clínica programada ou aumentar a pressão nas urgências. E remetem a qualidade para um papel secundário. Nem o argumento financeiro colhe. As empresas oferecem honorários entre os 20 e os 45 €/ hora, sendo legítimo pensar que a fatura seja superior. Já os médicos que trabalham na função pública realizam trabalho extraordinário por valores inferiores a 10 € por hora.

Conclusão: é mais caro ao SNS recorrer à contratação externa do que contratar diretamente os profissionais necessários. A quem interessa perpetuar estas situações? Questão que os responsáveis políticos devem responder, explicando porque se continua a parasitar os recursos públicos através de empresas prestadoras de serviços e a valorizar a medicina a retalho em detrimento da carreira médica.
SNS política governo (sistema)
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