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Miguel Guimarães

Polémica imprudente

Será que os jovens especialistas devem ou são credores do Estado?

Miguel Guimarães 5 de Outubro de 2017 às 00:30
O Ministro da Saúde lançou recentemente a ideia de que a formação médica especializada tem custos que deverão ser compensados pelos jovens especialistas.

Dando como exemplo o modelo dos pilotos da Força Aérea, propôs que todos os recém-especialistas sejam obrigados a manter um período mínimo de fidelização ao serviço público ou, em alternativa, compensarem financeiramente o Estado pelo investimento feito.

Mas afinal, quanto custa formar um médico especialista após a conclusão da formação pré-graduada? Será que os jovens especialistas devem ou são credores do Estado?

Qualquer contabilidade exaustiva do trabalho versus compensação dos médicos internos em formação, tornará evidente aquilo que é óbvio: não devem nada ao Estado, bem pelo contrário.

O contrato de trabalho em funções públicas que lhes permite exercer medicina enquanto fazem a sua formação, é claramente insuficiente para compensar o volume extraordinário de trabalho que fazem todos os dias. Seja no serviço de urgência, na consulta externa, no internamento, no bloco operatório, etc.

Os médicos internos são mais de um terço dos médicos do SNS. Se amanhã todos deixassem de trabalhar, o SNS entrava em crise profunda.
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