Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
2
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Octávio Machado

Pedroto no topo do FC Porto

O mestre não temia a luta, fosse qual fosse a circunstância.

Octávio Machado 8 de Janeiro de 2016 às 00:30
José Maria Pedroto terá sido o primeiro homem do futebol português a vencer o medo de atravessar o Douro em direção a sul. Foi um treinador de sucesso desde o início da carreira, destacando-se, numa fase inicial, à frente do V. Setúbal, onde tive o grato prazer de ser seu pupilo e onde deixou organização e escola.

Regressado a norte da ponte, o mestre deu nome ao Boavista, que, com ele, passou a ganhar títulos, mesmo quando em luta direta com os grandes. E, por falar em grandes, estava escrito que tinha de regressar ao seu querido FC Porto, onde se notabilizara como jogador.

Aproveitando a experiência de técnico noutros clubes, demonstrou, rapidamente, estar com muitos anos de avanço relativamente a todos os companheiros de profissão – inovador e competente, não apenas como treinador, mas também a fazer o papel que deve caber aos dirigentes. As ideias inéditas do mestre foram passadas a outros e, ao longo dos tempos, vieram a ser postas em prática pelo FC Porto e, afinal, em todo o futebol português.

Foram imensos os treinadores de futebol, em Portugal, que, como jogadores, obtiveram do mestre as competências que usariam, depois, como técnicos. É lícito, por isso, considerar-se José Maria Pedroto um formador por excelência e de excelência. Apostou no jogador português como poucos. Descobriu talentos de primeira até em equipas de segunda.

Não se estranha, pois, que o mestre tenha sido o primeiro treinador português a dar um título internacional a Portugal – campeão europeu de juniores, em 1961. O seu trabalho nas seleções seniores também merece rasgados elogios, porque as liderou num período em que era muito difícil ser selecionador.

O mestre não temia a luta nem o adversário, fosse qual fosse a circunstância, desafiando os poderes instituídos sempre que necessário. Não gostava de perder. Nem a feijões.

Deve-se ao mestre um novo ciclo no futebol português e no seu clube de coração, ajudando-o a tornar-se respeitado em Portugal, na Europa e no Mundo, deixando uma obra que poucos conseguirão repetir.

José Maria Pedroto foi o Edgar Cardoso do sucesso interno do FC Porto, foi o Siza Vieira do arranque do projeto europeu do clube. A cidade e os portistas – nobres e leais – reconhecerão que o mestre está no topo da história do FC Porto. E os treinadores e jogadores portugueses que mereceram dele empenho e dedicação na sua valorização jamais o esquecerão.

Bem-haja, mestre!
José Maria Pedroto Douro Setúbal Boavista FC Porto Edgar Cardoso Siza Vieira futebol
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)